Caio Bosco – Caio Bosco

Escrito por em 14/01/2013

Beats suaves e hipnóticos, grooves incisivos e melodias cativantes são os elementos que encontramos no primeiro álbum de Caio Bosco, depois daquela joia rara que foi o EP de debuto Diamante, lançado em 2009; agora ele está de volta, para a felicidade dos nossos ouvidos, com uma produção de primeira qualidade, reunindo todas as influências e referências que fazem dele um dos artistas de destaque da nova música brasileira.

Originário do Guarujá, litoral de São Paulo e filho de sanfonista, Caio ficou logo enfeitiçado pela magia da música e pelo poder intrínseco capaz de despertar nas pessoas sentimentos e emoções que às vezes ficam esquecidos na correria do dia a dia. Então, partiu em busca desta magia que o impulsionou a se envolver, em 2005, no primeiro projeto sonoro chamado de Radiola Santa Rosa junto com o parceiro DJ Betto, com o qual lançara o primeiro disco da carreira Disqueria que dará continuidade com Duberia em 2006. No ano seguinte, depois de algumas sessões de gravação não bem sucedidas Caio decide deixar de lado o Radiola para começar uma viagem solitária à procura de uma sonoridade que poderia juntar todas as referências artísticas – além da música Caio é um apaixonado pelo cinema, o que hoje faz dele um artista completo.

Depois de ouvir o EP Diamante, confesso que me apaixonei pelo trabalho dele e fiquei muito ansioso para ouvir o novo disco que, foi lançado só no mês passado, depois de três anos em que ele andou colhendo e maturando novas inspirações para dar continuidade as seis faixas da sua primeira produção solista. Tarefa nada fácil, visto o brilho das composições anteriores, que no meu modesto parecer continuam sendo um dos episódios marcantes no panorama da música brasileira contemporânea da década passada.

O novo trabalho é coproduzido por ele mesmo, por Jim Waters – que já colaborou com Jon Spencer Blues Explosion, Sonic Youth e Calexico – e por Alexandre Basa, produtor do Turbo Trio e do Black Alien que também está presente com o seu som inconfundível do piano elétrico Fender Rhodes em todas as faixas, deixando-as com aquele sabor Funk Soul vintage que se contrapõe aos samples e outras inserções eletrônicas presentes, mas nunca abusadas. O disco foi gravado num estúdio caseiro e em estúdios profissionais em São Paulo, foi mixado analogicamente pelo Jim Waters em Tucson, Arizona, e a masterização ficou por conta de Fred Kevorkian, em suas mãos já passaram artistas do calibre dos Sonic Youth, Regina Spektor e Iggy Pop, só para citar alguns dos inúmeros que confiaram no trabalho deste engenheiro do som reconhecido internacionalmente.

Caio vem acompanhado nessa jornada com velhos e novos amigos como Juca Lopes na bateria, Fábio Peraccini no baixo, Emerson Tripah na guitarra, Malásia (da legendária banda Ultramen) na percussão e o fiel DJ Beto na pick up, enquanto Caio assume mais uma guitarra, o sintetizador analógico Voltix, os samplers, os teclados e, é claro a bela e peculiar voz, profunda, rouca, mas também capaz de alcançar os timbres mais agudos na melhor tradição Funk Soul, estilo fundamental na formação dele, desde sempre grande admirador de Marvin Gaye e da música negra em geral.

Caio Bosco é um álbum que deixará uma marca na música Pop nacional, termo que ele faz questão de usar para definir a sua música que é ao mesmo tempo fácil de digerir e sofisticada, intimista e solar como os filmes do diretor francês Eric Rohmer, do qual veio a inspiração pelo videoclipe que acompanha o primeiro single “Mendigos de Amor”.

Obrigado, Caio por nos deliciar com a sua arte sincera e emocionante.

Paz!!

Mauro Lussi

Coordenador musical e DJ da Rádio UFSCar

A lista das músicas que você confere durante a semana, às 10h00, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira
1. Em Frente
2. Mendigos de Amor
3. Miss High Times
Terça-feira
4. Feira do Rolo
5. Olhos D’água
Quarta-feira
6. Corredor
7. Pare e Pense
Quinta-feira
8. Musa, Música Perfeita
9. Sudade
Sexta-feira
10. Pernambuco Beach
11. Trilha
12. Mandala, Manda-la


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