Bixiga 70 – Bixiga 70 III

Escrito por em 13/04/2015

Foi em uma tarde de terça-feira, a partir de uma publicação feita no facebook, que eu ouvi o terceiro e mais novo álbum, que assim como os outros trabalhos de estúdio, levam o nome da banda Bixiga 70. A princípio, por ter o mesmo nome, pensei que esse álbum poderia ser uma continuação direta dos trabalhos anteriores. Porém, ouvi algo diferente. Claro, ainda é o Bixiga 70, mas agora com uma nova coloração, um novo astral. Dez músicos juntos em um estúdio produziram e compuseram todas as músicas do álbum. A individualidade de cada instrumento, assim como a daqueles que os tocam, junto a evolução mental e espiritual de cada um, criam a sinergia necessária para o entendimento coletivo do disco. O nome é o mesmo, mas assim como um rio nunca é o mesmo no dia seguinte, o terceiro disco da banda não é o mesmo dos discos anteriores.

Dentro do universo do funk, jazz, música afro-brasileira, dub, reggae, cumbia e carimbó, as músicas se constroem a partir de frases e solos, harmonias e dinâmicas, claves e improvisos. Um disco para dançar e celebrar dez instrumentos que dialogam entre si, em total eloquência. O som, apesar de instrumental, sugere sentimentos e sensações que não podem ser descritos com palavras. Na verdade, essa é a beleza das músicas instrumentais: cada um escuta o disco de uma forma e a minha interpretação para o Bixiga 70 (2015) pode ser completamente diferente da sua. É isso que torna a experiência de ouvir o álbum tão especial.

Gravado e mixado por Victor Rice, o terceiro álbum da banda traz nove faixas que unem estilos diversos, executados de maneira totalmente autoral. Como a própria banda afirma no release do disco: “Ao longo das nove faixas do álbum, fundem-se estilos e nascem sincretismos autorais em forma de afrofunk moderno, cumbia marroquina, spiritual jazz, adaptações de pontos de terreiro, blaxploitation cubano, movimento Black Rio em SP, dub árabe, tambores malinké com guitarra angolana e banda de pífano.”

No final das contas, o novo disco do Bixiga 70 é uma obra prima. Dentro de cada faixa existe um pouco de cada artista e a somatória desse pouco resulta em muito significado. Porém, um significado que não pode ser dito por palavras. Ler essa resenha não tornará o álbum melhor ou pior. Cada faixa contém seu próprio universo. A minha sugestão é dar o play no soundcloud abaixo aumentar o volume e tirar as suas próprias conclusões.

Hugo Safatle

Bolsista em Programação Musical na Rádio UFSCar

 

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h, na Rádio UFSCar:

 

Segunda-feira

  1. Ventania
  1. Niran

Terça-feira

  1. 100% 13
  1. Di Dance

Quarta-feira

  1. Machado
  1. Martelo

Quinta-feira

  1. Lembe
  1. Mil Vidas

Sexta-feira

  1. 7 Pancadas

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