Bárbara Eugênia – É o que temos

Escrito por em 24/06/2013

Se Journal de BAD (2010), disco de estreia de Bárbara Eugênia, soava como o inverno frio de fim de namoro, É o que temos é o verão ensolarado – mas nem por isso deixa de extravazar certa melancolia e incerteza pelo que está por vir. O segundo trabalho da cantora absorve, de forma nostálgica, influências dos anos 1960 e 1970, e nos devolve uma obra marcada por sentimento positivo.

Eugênia conta com os dedos de Edgar Scandurra tanto nas guitarras quanto na produção – e o cara faz um ótimo trabalho. Toda vez que o característico som rasgado de sua guitarra entra em cena, as faixas explodem em cor (“Por que brigamos (I am… I said)” e “Ugabuga feelings” são exemplos disso). A cantora também recorre a referências de gênero instantaneamente identificáveis – como ao brega em “Por que brigamos…”, e à música havaiana em “You wish you get it” – para fisgar de vez qualquer ouvinte.

 Assemelhando-se muito às propostas estéticas vistas em Caravana sereia bloom(último disco da companheira de cena Céu), Bárbara Eugênia passeia pela sonoridade tropical com a suavidade – e sensualidade – passivo-agressiva que apenas sua voz rouca pode propiciar.

É o que temos pinta um retrato multifacetado do que é amar, com todas as suas contradições e desentendimentos (“Coração” e “Roupa suja” são exemplos disso, faixas que seguem a linha estética tropical, mas que se fazem pesar pelas letras duras). É um disco de conformação com os altos e baixos da vida: a cantora abraça essa montanha russa de sentimentos como algo natural e belo – e daí surge a força de É o que temos: transitar, sem medo, da paixão havaiana de “I Wonder” pra reflexiva “Sozinha (Me siento solo)”, atesta para um auto-entendimento raro – e caro – a qualquer obra romântica.

Bárbara Eugênia se permite passear entre o idealismo cego, o realismo tortuoso, e tudo que está entre.

Aliás, essa seria uma boa definição para o disco: o álbum dos “entres”. No quesito sonoridade, está entre os anos 60-70 e a atualidade, entre o tropical e o melancólico. Temáticamente, está entre a paixão e a desilusão, entre o começo e o fim. Mas na hora de qualificar não tem meio termo, É o que temos é mais uma jóia da música nacional proporcionada por outra de nossas prolíficas novas vozes femininas.

Henrique Gentil
Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
Coração
Por que brigamos (I Am… I Said)
terça-feira
Roupa suja
O peso dos erros
quarta-feira
I wonder
Sozinha (Me siento solo)
quinta-feira
Jusqu´ à la mort
Ugabuga feelings
sexta-feira
Não tenho medo da chuva e não
You wish, you get it out to the sun

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