Aurora – Bárbara Eugênia

Escrito por em 31/03/2014

Esse é pra quem gosta de Beatles. Saiu mês passado o mais novo disco da cantora Bárbara Eugênia, depois de não fazer nem um ano que ela lançou É o Que Temos. Mas esse é diferente, é um projeto com o Chanka, guitarrista da banda Hurtmold (que também deu uma palinha no outro trabalho dela), e é totalmente inspirado em canções do quarteto de Liverpool.

A ideia nasceu espontaneamente durante um momento bucólico nas férias de 2012, na qual Bárbara lia sobre a história dos Beatles. A leitura gerou algumas reflexões em relação à trajetória da banda, seus integrantes de personalidades tão peculiares, e sobre a vida em geral. Assim, ela achou que valia a pena arriscar um trabalho paralelo ao seu disco solo. E para acompanhar essa jornada, o guitarrista Fernando Cappi, aka Chanka, foi requisitado.

Aurora é um disco cantado todo em inglês e aposta bastante nas melodias simples do folk. As semelhanças com os Beatles são notáveis, principalmente em relação ao seu período mais singelo (a época dos terninhos combinando), antes da psicodelia. Comparar a Beatles é uma missão difícil. O trabalho deles foi tão marcante na história do rock, que é praticamente impossível se desvencilhar da sua influência ao comentar sobre outros artistas do gênero. Quando o disco em questão é declaradamente inspirado neles, então, dava uma tese. Dessa forma, essa resenha foca nos aspectos mais evidentes dessas semelhanças, deixando para o ouvinte apreciar as demais nuances por conta própria.

As letras simples sobre temas como o amor, a vida, a solidão, e a inspiração mais sessentista deixa a influência beatle bastante clara. A música de abertura, “Say Goodbye”, tem a atmosfera nostálgica das canções que falam sobre despedidas, e a presença marcante de um violino country (violino que estará em praticamente todas as músicas do disco). Musicalmente, é possível apontar outras semelhanças com o trabalho dos Beatles. Primeiramente com a presença de contra-solos em quase todas as músicas (quase sempre protagonizados pelo violino), que lembram, inevitavelmente, os arranjos de Eleanor Rigby, I’ve Just Seen A Face e And I Love Her.

Até que chegamos na metade do disco. E assim como o quarteto de Liverpool, mais ou menos no período do álbum Revolver, Aurora também começa sua transformação, indo para um lado mais experimental. A faixa “Why So Mute” tem uma jam final mais ousada, um toquezinho de psicodelia que nos prepara para a ruidosa “Stand Up For Yourself”, a faixa mais experimental do disco, uma colagem sonora de distorções de guitarra, batida bem marcada e uma letra engajada. Seguindo a mesma linha mais psicodélica, quase hippie, temos também a faixa “And Love You’ll Have” e a faixa-título “Aurora”, que encerra o disco. Fugindo um pouco disso tudo, a música “Climb The Stair” tem uma vibe mais parecida com o disco É O Que Temos, de Bárbara, mais animada, um sambinha tropical com cara de anos 60.

De uma forma ou de outra, os Beatles estão presentes em peso no trabalho do duo. Mas isso não significa que o disco não seja original, muito pelo contrário. Bárbara e Chanka se apropriaram das influências para criar um projeto que é ao mesmo tempo nostálgico e atual, singelo e muito fácil de apreciar. E vai sair em vinil se tudo der certo! E se houver vinil, haverá shows, então vamos torcer!

Diana Ragnole,
Estagiária em programação musical.

A seguir, as músicas que ouve de segunda a sexta-feira, às 9h45, aqui na Rádio UFSCar.

Segunda-feira
1. Say Goodbye
2. With Love
Terça-feira
3. Don’t Let It Slip Away
4. Why So Mute?
Quarta-feira
5. Stand Up For Yourself
6. Climb The Stair
Quinta-feira
7. And Love You’ll Have
8. Ants
Sexta-feira
9. Aurora

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