Apanhador só – Apanhador só

Escrito por em 16/12/2010

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Antes de falar sobre o primeiro álbum da banda Apanhador só, vamos fazer um levantamento histórico do grupo que começou se formar por meios de 2003, quando seus integrantes ainda estavam no colégio. Colegas de turma tocavam covers de Beatles, The Who, Strokes e faziam umas versões malucas de músicas do Chico Buarque. Tudo isso tocado apenas com o trio guitarra, baixo, bateria. Com um certo amadurecimento, começaram a compor suas próprias músicas e a banda foi mudando gradualmente, acrescentando ao seu elenco colaboradores externos, com elementos especiais.


Em seu repertório, trazem como referências Chico Buarque, Sérgio Sampaio, Jards Macalé, Jorge Ben, Itamar Assumpção e Walter Franco. No entanto, a banda não se restringe a poucas referências, segundo eles, deixam que tudo o que bate em seus ouvidos virar influência.


Em 2006, lançam o primeiro EP, o “Embrulho pra Levar”, que marca o início autoral da banda, deixando os covers para trás e começando a fazer shows. No meio do caminho, em 2008, lançam um segundo EP. E agora, no início de 2010, lançam o primeiro álbum – homônimo ao grupo – com a produção musical de Marcelo Fruet. Gravado e masterizado por Dave Locke e mixado em Porto Alegre, entre a primavera de 2008 e o verão de 2010.


Apanhador só traz um primeiro álbum todo fechado, com qualidade e profissionalismo. Disco com uma qualidade musical e sonora fina, acrescentado por um projeto gráfico criativo e fora do convencional. Criado por Rafael Rocha e com ilustrações de Fabiano Gummo, o encarte trás 15 fichas soltas de papel com ilustrações e, no verso, letras das músicas, que podem ser montadas conforme o gosto do ouvinte ou, como sugerido no encarte, segundo a ordem das músicas.


Ouvido desatentadamente, o álbum pode lembrar um rock água-com-açúcar, no sentido de não ter espetaculosos solos ou invencionismos a lá rockstars. Lembra de longe um pop rock nacional, a lá Los hermanos.


Mas, ouvida com atenção, a banda traz uma pitada de sal a mais, trabalhando os riffs de maneira criativa e cativante. Os integrantes trabalham com o básico do rock, guitarra, bateria e baixo, mas acrescentam, em momentos específicos, corretos e especiais elementos diferentes, tirados de uma percussão feita a base de sucata, como furadeira, máquina registradora, pato de borracha, roda de bicicleta e grade de churrasqueira, o que dá o toque especial à música da banda.


Com um refinado apuro técnico, as construções sonoras trazem quebra de ritmo, com melodia simples e animada. Fazendo um rock suave, mesclando propriedades da MPB, com baixos precisos, riffs delicados e melosos e um jeito único de cantar, a formação pode ser compreendida como uma banda de rock com olhar MPB.


Quanto às letras, são sempre curtas, soando como poesia para se ler ou ouvir. Carregadas de um lirismo sem excesso, trazem rimas bem feitas e brincam com trocadilhos inteligentes, mudando e acrescentando sentido a frases populares, criando novos significados e novos bordões.


Algumas letras carregam um humor nonsense, encoberto pela fina camada poética, o que não as torna escrachadas. Outras já trazem assuntos mais sérios e românticos, mas sempre trabalhados com jogos de palavras, trocadilhos e formações poéticas, o que se encaixa perfeitamente com o tom do vocalista e seus trejeitos do sotaque sulista.


Assim, a banda procura através de suas letras e composições abarcar uma gama de temas e estilos. Que vão desde a música “Maria Augusta“, com sua sensação de antiga trova popular ou de sabedoria ancestral, até a “Balão-de-vira-mundo“, que ao invés de seguir de volta ao sertão nordestino de seus antepassados, vai mais ao sul e vira tango.

Mayara Fior Oliveira
Rádio UFSCar

Os discos da semana vão ao ar às 11 horas e às 17 horas, diariamente dentro da programação.

Disco da Semana 14 de junho de 2010

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