Andreia Dias – Volume 2

Escrito por em 28/06/2010

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“Você faz uma música muito simples, que não é boba” (Arrigo Barnabé)

Em plena beleza e pulmões, aos 37 anos, a cantora e compositora Andreia Dias segue sua carreira solo lançando o Volume Dois de sua pretensa trilogia.

A paulistana se lançou na carreira solo em 2007 com o Volume Um da mesma trilogia. Seu primeiro disco foi bem recebido pela crítica e pelo público, rendendo apresentações em grandes capitais do país e no exterior, em Barcelona, Sevilha e Paris. Além de parcerias com Tom Zé, Arnaldo Antunes, Zélia Duncan, Luiz Melodia e Jair Rodrigues.

Antes de ”se jogar” na carreira solo, Andreia Dias emprestou sua voz às bandas DonaZica, Banda Glória e Farofa carioca. E, ainda hoje, participa do projeto “Uma opereta existencialista”, com Arrigo Barbabé, e participa da banda Astronautas do amor.

Com o objetivo de se distanciar do estereótipo de “Diva da MPB”, a cantora diz que buscou a carreira solo para desabafar em sua obra a angústia de seu peito. Para isso, lançou a ideia de uma trilogia, procurando refletir as sensações do dado momento de sua vida no disco do momento.

Seu novo álbum foi disponibilizado na íntegra para download na internet, um dos fatos que insere a cantora no cenário independente que se utiliza da web como meio de divulgação sem medo. Para a cantora “a música é do mundo” e por isso deve ser disponibilizada na rede.

Seu segundo álbum, realizado no segundo semestre de 2009, contou com a produção do multi-instrumentista Ricardo Prado, que deixou a marca de seu gosto pessoal, com um som mais sujo e denso, com forte pegada rock.

O álbum foi gravado no estúdio Totem, no período de uma semana. Com bases e pré-produção feitas por Luque Barros, a banda criou os arranjos durante a semana de gravação. A gravação foi ao vivo, com todos tocando ao mesmo tempo. Assim, o disco é cheio de surpreendentes e belas improvisações e arranjos inventivos e imprevisíveis. A banda que acompanhou Andreia na gravação do disco foi a mesma que fez a turnê de seu primeiro álbum durante dois anos, portanto, o entrosamento contribuiu bastante para a sonoridade do recente trabalho.

O Volume Dois traz as ilustres participações de Zeca Baleiro, Marcelo Pretto, Arrigo Barnabé, Ricardo Herz e Alzira Espíndola e Iara Rennó, além de vários outros músicos e amigos de Andreia. O repertório é composto por canções próprias, sendo que duas delas são em parceria com Iara Rennó e Luque Barros.

Com sua voz forte, suave e afinada, traz um disco denso, onde o rock converge com outras de suas referências, que inclui rock nacional dos anos 80, samba, eletrônico e vanguarda paulistana. Mas, a própria Andreia define seu estilo como popular contemporâneo brasileiro. Os arranjos têm teclados e guitarras marcantes, com peso de rock, porém, com uma inventividade que traz novos elementos a esse tipo de composição, como trompetes, trombones, acordeon, violino, etc. Tais arranjos, a princípio, destoam de sua voz que parece própria de divas da MPB, no entanto, esse contraste que causa um estranhamento reflexivo chama atenção do ouvinte e só vem acrescentar à diferenciação sonora da cantora.

Suas músicas flertam com diversas referências, três delas são o brega, o iê-iê-iê e o dramalhão. As composições transbordam sinceridade, emoção e paixão. Com letras intensas, diretas e lascivas que falam de desilusões amorosas, críticas e crônicas, ora com rancor e mágoa, ora com ironia. Assim, a antidiva não tem vergonha de expor seus sentimentos e mostra suas fraturas e dores.

Resumo das músicas em substantivos e adjetivos:

“Noites”

amor solitário, amor sofrido, trompete, trombone, flauta e acordeon (gravado e invertido); levada latina, meio tarantella, com toque Mariachis.

“Nós dois”

brega psicodélica.

“Jóia rara”

música de amor comum, verdades cotidianas dum relacionamento, paixão e preocupação toque MPB, cuica de boca, berimbal de boca, coro vocal.

“Mulher”

ponto de vista feminino, representação do estigma da mulher na sociedade, víbora para a humanidade. Tom oriental, coral, macabra.

“Espelho da alma”

fundo do poço, violinos, cello.

“Pomba gira”

sofrimento do amor, sofrimento pela pessoa boêmia, carta que virou música, voz masculina, Zeca Baleiro.

“Pó da rabiola”

dor do “ser”.

“Erva daninha”

lado obscuro das pessoas.

“Os porcos estão no poder”

levada Raul Seixas e Mutantes, voz de Alzira e Iara Rennó.

“Astro rei”

auto-ajuda, ironia, Arrigo Barnabé, enérgico pregador religioso, metafísica.

“Cadência”

levado eletrônica, Iara Rennó.

Mayara Fior Oliveira
Bolsista da Rádio UFSCar

Você escuta as faixas do Disco da Semana Nacional de segunda à sexta às 11h pelos 95,3 FM da Rádio UFSCar e, é claro, pelo nosso streaming ao vivo

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