Adoniran – 100 anos – Vários Lua Music

Escrito por em 22/11/2010

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Nosso disco nacional dessa semana é um lançamento que celebra um século de existência! Em 1910, nascia João Rubinato, mais conhecido como Adoniran Barbosa.

Muito além de ser o mais conhecido nome do samba paulista e estar, sem dúvida, entre os mais importantes compositores, Adoniran e sua obra constituem uma síntese, um símbolo da identidade paulista, algo que deve ser reconhecido e valorizado, pela população do estado brasileiro mais rico economicamente e, talvez, o mais pobre no reconhecimento de sua própria cultura!

No ano do centenário de seu nascimento, a gravadora Lua music lança “Adoniran 100 anos”. Idealizado e produzido por Thiago Marques e com direção musical de Rovilson Pascoal e André Bedurê, o disco traz um tributo com muitas participações, desde tradicionais nomes do samba à figuras das mais diversas searas musicais, passando por novos nomes da nossa música brasileira, num total de 34 composições de Adoniran, revisitadas em 24 faixas que compõem o álbum.

A Rádio UFSCar traz, então, novos olhares e interpretações sobre a rica e diversa obra de Adoniran Barbosa, nessa semana em que, além do centenário de nascimento, é marcada pelo dia de sua partida: 23 de novembro de 1982. Quase trinta anos após sua morte, suas músicas e histórias já se eternizaram e Adoniran consagra-se merecidamente, a cada vez que um samba seu é cantado, como um dos pilares da música brasileira!

Vamos, então, a uma breve impressão sobre o disco “Adoniran 100 anos”:

Como estamos falando de samba, a cozinha deve ser valorizada e apresentada, são cerca de doze músicos que se revesam nos instrumentos e nas 24 faixas do disco, entre eles estão Rovilson Pascoal, Gustavo Souza, Chocolate e André Bedurê, formando um time de primeira, que segura a batucada do começo ao fim.

Começamos com uma pegada animada, meio samba-rock, guitarras e teclados que nos lembram a parceria Jorge Ben/Mutantes, na voz de Maria Alcina cantando Um samba no Bexiga e Plac ti Plac. Em seguida, vem Aguenta a mão João, com Virgínia Rosa acompanhada de um ótimo arranjo de metais; depois, Zélia Duncan cantando Tiro ao Álvaro.
A triste história de Iracema tem sua dramaticidade acentuada na inconfundível voz de Tetê Espíndola que ainda toca craviola.

Mulher, Patrão e cachaça: um samba de Adoniran, que retrata o universo do samba, interpretado por um dos conjuntos de samba de maior destaque da atualidade, o Quinteto em Branco e Preto. O resultado? Música de bamba! E o batuque segue, em uma levada cheia de malícia, assim como o tema: As Mariposas, na voz de Mart’nália.

O veterano Jair Rodrigues vem em parceria com Marquinhos Moura, cantando Saudosa Maloca e Despejo na Favela, nos lembrando que a beleza das letras de Adoniran estão também em tristes histórias por ele contadas. Ainda falando em tristeza, Vinícius de Morais foi parceiro de Adoniran em Bom Dia Tristeza, aqui inusitadamente interpretada por Cauby Peixoto e Dominguinhos, melancolicamente perfeita.

Bom, vamos animando novamente com Thomas Roth e Wanderléa com Samba do Arnesto, uma interpretação que valoriza o coloquialismo de Adoniran, e viva nóis caipira, e viva o samba de Pirapora!

Trem das Onze, na leitura de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra: dois paulistas, importantes nomes do rock nacional dos anos oitenta, em uma versão nada samba, mas tão Paulista quanto Adoniran, muito boa!

No Morro da Casa Verde, na voz de Leci Brandão: sem comentários, é pra chorar de emoção, seguida de Cristina Buarque em Apaga o Fogo Mané, segundo um sambista disse outro dia, talvez o mais bonito samba de Adoniran! E, seguindo com as citações, como bem disse Geraldo Filme “quem nunca viu o samba amanhecer, vai no Bexiga pra ver, vai no Bexiga pra ver”, tá aí: o Samba Italiano do Bexiga, na voz da cantora Célia.

Começando em ritmo de marchinha: “Agora não é hora de falar/Nóis viémo aqui pra beber ou pra conversá?” Nóis viemo aqui pra que?/Torresmo à milanesa e Jabá sintético, reunindo Laert Sarrumor, Ayrton Mungnaini Jr., Osvaldinho da Cuíca e Thobias da Vai-Vai, essa dá uma sede…

Fabianna Cozza & Mateus Sartori retomam os sambas cantados a duas vozes em Armistício/ Joga a chave e Já tenho a solução, seguidos de mais dois nomes do cenário contemporâneo: Verônica Ferriani e Diogo Poças, cantando Prova de Carinho/ Nóis não usa black ties, respectivamente. E a genialidade de Adoniran salta aos nossos olhos nos versos de Prova de Carinho, aqui com um belo violoncelo.

Vila esperança tem seu tom nostálgico acentuado na voz e no violão da sambista Milena. Chega, então, a hora de um bolero, a versatilidade da obra de Adoniran, com Cida Moreira em Quando te Achei.

Sob a Luz da Light, ou de um candeeiro, e ganhado “duas mariola e um cigarro Iolanda”, o cotidiano de décadas passadas contado por Adoniran e cantado por Vânia Bastos, Paulo Neto e Carlinhos Vergueiro, num pout-pourri de Luz da light/Acende o candeeiro e Tocar na banda.

Graça Braga e Passoca, acompanhados de coro e um trombone, que caem como uma luva em Fica mais um pouco e Pafunça, dois sambas com ares carnavalescos.

Outra inusitada e muito bem sucedida versão presente em “Adoniran 100 anos” é a de Malvina, por Maurício Pereira. Uma leitura muito divertida, quase um bolero de novela mexicana, tocada com extremo preciosismo.

Eduardo Gudin e seu violão, mais um grande nome da nossa música prestando sua homenagem, em Abrigo de vagabundos.

Adoniran assinou algumas composições sob o pseudônimo de “Peteleco”, nesse caso, em parceria com Marques Filho temos Mãe eu juro, na voz de Márcia Castro.

E, por fim, temos os Demônios da Garoa, cantando Conselho de Mulher. O que dizer do grupo que acompanhou Adoniran e que o ajudou a criar umas de suas marcas registradas, com sua coloquialidade cantada em coro? Simplesmente é o tributo prestado encerrando-se com chave de ouro.

http://www.luamusic.com.br/2009/#/novidades/3/

Por Lucas T. Ferreira,
a.k.a. Caixa-preta DJ,
Programador da Rádio UFSCar

Todas as faixas do nosso disco nacional dessa semana você escuta diariamente, de segunda à sexta, às 10:00, na seguinte ordem:

segunda-feira:
01 – Um Samba no Bexiga/ Plac ti Plac – Maria Alcina
02 – Aguenta a mão joão – Virgínia rosa
03 – Tiro ao Álvaro – Zélia Duncan
04 – Iracema – Tetê espíndola
05 – Mulher Patrão e cachaça – Quinteto em Branco e Preto

terça-feira:
06 – As Mariposas – Mart’nália
07 – Saudosa Maloca/despejo na Favela – Jair Rodrigues e Marquinhos Moura
08 – Bom Dia Tristeza – Cauby Peixoto e Dominguinhos
09 – Samba do Arnesto – Wanderléa e Thomas Roth
10 – Trem das Onze – Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra

quarta-feira:
11- No Morro da Casa Verde – Leci Brandão
12 – Apaga o fogo – Cristina Buarque
13 – Samba Italiano – Célia
14 – Nóis viemo aqui p/ que/torresmo à milanesa/Jabá sintético – Laert Sarrumor, Ayrton Mungnaini Jr. Osvaldinho da Cuíca e Thobias da Vai-Vai
15 – Armistício/joga a chave/já tenho solução – Fabianna Cozza & Mateus Sartori

quinta-feira:
16 – Prova de Carinho/nóis não usa black ties – Diogo Poças e Verônia Ferriani
17 – Vila esperança – Milena
18 – Quando te Achei – Cida Moreira
19 – Luz da light/acende o candeeiro/tocar na banda – Vânia Bastos, Paulo Neto e Carlinhos Vergueiro

sexta-feira:
20 – Fica mais um pouco/Pafunça– Graça Braga & Passoca
21 – Malvina – Maurício Pereira
22 – Abrigo de vagabundos – Eduardo Gudin;
23 – Mão eu Juro – Márcia castro
24 – Conselho de Mulher – Demônios da Garoa

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