Woodkid – The golden age

Escrito por em 25/03/2013

Já faz um tempo que estamos de olho no francês Yoann Lemoine; músico, diretor, designer gráfico. Além de ter dirigido ótimos videoclipes para algumas cantoras pop (Yelle, Taylor Swift, Katy Perry e Lana Del Rey, por exemplo), Lemoine tem seu projeto solo chamado Woodkid. Um projeto autoral de música pop experimental com um pé no cinema. Ele lançou na semana passada seu grandioso álbum de estreia, The golden age.

Woodkid já havia lançado três singles que viraram sucesso na internet devido aos seus videoclipes superproduzidos que apresentavam uma continuidade cronológica, ou seja, que contavam uma história. Tratam-se das faixas “Iron”, “Run, Boy Run” e “I Love You”, presentes no álbum The golden age. Nos videoclipes que, também, podem ser chamados de curtas, temos um personagem recorrente, um garoto, mas as letras das músicas não evidenciam nenhum personagem em específico, de forma que se cogitava muito sobre essa história que Woodkid estava contando em seus clipes.

Se trata de uma história fictícia ou autobiográfica, ou, talvez, se tudo não seria uma grande metáfora, etc… Rolavam várias especulações e teorias, afinal, os clipes são realmente intrigantes. Assisti e reassisti dezenas de vezes, e eles me prenderam a atenção em todas, como faria um bom filme, no qual fiquei acompanhando o desenrolar da ação. Mas o álbum saiu e mesmo ao ouvi-lo por inteiro ainda não cheguei à nenhuma conclusão.

 Não quero dizer que não haja uma história ou que fiquei decepcionada. Pelo contrário, não deixar a história ou a mensagem do álbum evidente só o tornou mais intrigante e complexo. O disco não é uma ópera-rock nos moldes de Tommy, do The Who ou do The Human Equation, do Ayreon; e também não conta uma história subentendida ao estilo de American Idiot, do Green Day. The golden age se aproxima mais de uma trilha sonora cinematográfica. Um trilha digna de Hans Zimmer, Tyler Bates, John Williams, e outros grandes compositores hollywoodianos. Grandiosa, épica e que desperta emoções.

Sei que grande parte disto acontece por causa da orquestração das músicas, todas elas são orquestradas do início ao fim. E a maior parte tem esse ápice orquestral do meio pro final que torna a faixa absolutamente épica. Eu, particularmente, adoro. Tenho que admitir que isso torna o disco um pouco comercial, pois passa uma sensação de que Woodkid desenvolveu uma “fórmula de sucesso”, aplicada nas faixas que citei e em mais algumas do álbum. Mas levando em consideração o tipo de trabalho que se desenvolve na música pop comercial atualmente, o The golden age se destaca como algo bem diferente do que o público está acostumado: referências musicais étnicas, experimentações rítmicas, orquestrações épicas, sentido cronológico, e um toque pessoal que torna o projeto algo completamente autoral.

Lemoine é um talento que promete. Seu pé no audiovisual com certeza o levará a assinar trilhas sonoras, e quem sabe até a direção de filmes. Mas o que eu realmente espero é ver novos projetos do Woodkid. The golden age foi uma entrada triunfal, estreia com muita pompa na qual o francês não poupou grandiosidade. Mas tomara que ele não se acomode nesse estilo de “pop épico” que o trouxe à tona. Raros são os verdadeiros talentos na música pop, e mais raros ainda são aqueles que não se perdem em fórmulas de sucesso, dinheiro e superficialidade musical. Lemoine tem tudo pra não seguir esse caminho e se tornar mais grandioso que sua obra.

Diana Ragnole
Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. The Golden Age
2. Run Boy Run
3. The Great Scape
terça-feira
4. Boat Song
5. I Love You
6. The Shore
quarta-feira
7. Ghost Lights
8. Shadow
9. Stabat Mater
quinta-feira
10. Conquest of Spaces
11. Falling
12. Where I Live
sexta-feira
13. Iron
14. The Other Side

Revisão: Sheila Castro

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