Two Door Cinema Club – Beacon

Escrito por em 10/09/2012

Certas bandas não conseguem se reinventar de maneira alguma. Não que seja um defeito ou uma crítica, é uma afirmação: há artistas que se prendem e identificam-se tanto com o próprio som e estilo, que conseguem trabalhar pelo resto da carreira sem desviar muito de uma “proposta inicial”, por assim dizer. Por outro lado, há bandas que sentem a necessidade da reinvenção, da nova roupagem a cada álbum. Uma ânsia por mudanças, para conseguir trabalhar e ter gás para escrever novas músicas, encaixar com outras melodias e (re)criar estilos, é uma característica primeira, o carro chefe que  identifica essas bandas em meio a multidão de artistas ao redor do mundo.

    Qual seria o melhor caminho a seguir? É bem difícil responder, mas posso afirmar que o trio britânico de indie rock, Two Door Cinema Club,  ficou no meio termo. Em 2007, Sam Halliday (guitarra, backing vocal), Alex Trimble (vocal, guitarra, sintetizadores) e Kevin Baird (baixo, backing vocal) resolveram se juntar como uma banda, a proposta inicial é que fossem indies, com um rock que bebe um pouco do pop e doses cavalares de influências eletrônicas. O single “Something Good Can Work” fez tamanho sucesso na internet que o trio, em 2009, assinou contrato com a gravadora francesa Kitsuné, lançando seu primeiro álbum, Tourist History.  O sucesso veio, o tempo passou e agora em 2012, chega o tão aguardado segundo trabalho, Beacon.

    Se comparado diretamente com o primeiro álbum, Beacon vem mais sintetizado, mais samplears permeiam as suas 11 faixas, vem com uma energia explosiva que não deixa alternativa se não pular, ou no mínimo, tamborilar os dedos no ritmo da música.

   É interessante que o Two Door Cinema Club obteve um feito louvável: conseguiram escapar do mal que atinge inúmeros artistas que se autodefinem como indie rockers: ser uma cópia mal feita de Strokes. É possível sim identificar algumas influências aqui e ali, levando em conta que The Strokes são os maiores representantes do gênero, mas o trio britânico consegue fugir disso, criar um estilo quase próprio e de qualidade e ainda influenciarem bandas ao redor mundo (ora, até a Banda Uó já usou Two Door Cinema Club na faixa “O gosto amargo do Perfume”).

    Lembram que disse que o Two Door Cinema Club pertence ao grupo do meio-termo? pois bem, é justamente isso que vemos em Beacon: o trio manteve suas características (batidas rápidas, letras divertidas, sintetizadores e guitarras alucinadas), mas ainda sim inovou, deixando o recente álbum mais eletrônico que o antecessor.

    O primeiro single, “Sleep Alone”, vem agitado e com batidas frenéticas, abrindo um sorriso nos fãs saudosos, tanto por beber da fonte que Tourist History criou, e também por ser diferente, deixando claro que um álbum novo vem por aí. “Someday”, faixa cinco, se difere pela presença forte da bateria programada, coisa nova em Two Door, que não conta devidamente com um baterista físico, mas suprem com maestria essa falta com uma programação de primeira.

  “Beacon”, última faixa e que dá nome ao disco, torna-se exatamente um farol – como o próprio nome diz – seja por sua vibe mais calma ou pelos vocais mais trabalhados, a canção se destaca no todo, fechando o disco de forma satisfatória. Two Door Cinema Club está de volta e pra ficar!

Diego Paulino

Estagiário de Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Next Year
2. Handshake
terça-feira
3. Wake Up
4. Sun
quarta-feira
5. Someday
6. Sleep Alone
quinta-feira
7. The World Is Watching (With Valentina)
8. Settle
sexta-feira
9. Spring
10. Pyramid
11. Beacon

Revisão: Sheila Castro

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