Torres – Torres

Escrito por em 25/02/2013

“Honey, while you were ashing in your coffin/ I was thinking about telling me theaterat you’ve done to me/ Honey, pretending like it never happened/ Pull you right by at me, put you back together”. Este é o refrão de “Honey”, segunda faixa de Torres, álbum de estreia da cantora e compositora Mackenzie Scott, de Nashville, Tennessee. E este trecho é apenas uma pequena amostra da melancolia amorosa e existencial que permeia as composições da moça.

Com 22 anos, recém-saída da universidade, Scott é grata ao rico cenário musical de Nashville por ter encontrado “seu som” ali. A cidade, mais conhecida pelo  country e folk, também abriga uma grande variedade de bandas em seu underground, que exploram outras vertentes musicais. Dessa forma, a cantora criou suas músicas a partir de diferentes referências e estilos.

A maior parte de suas composições surgiram durante a faculdade, não eram planejadas, eram insights que Scott tinha durante o banho, dirigindo o carro, ou às 3 da manhã, sozinha em seu dormitório, numa noite de insônia. Suas letras falam sobre o medo da solidão, o medo do futuro, o ciúmes, sobre um relacionamento que não acabou bem… Inquietações comuns quando se tem 22 anos. “College, men”, ela diz em uma entrevista ao site DeadJournalist.

Seu álbum foi gravado com a menor produção possível. A guitarra está sempre presente, sejam em powerchords sujos ou nos dedilhados que remetem ao folk. De vez em quando temos um teclado, um violoncelo, uma bateria, mas são detalhes. Detalhes bem colocados que constroem a ambientação das suas músicas e que ajudam a destacar a riqueza da sua voz. Mackenzie Scott tem uma voz grave que soa ao mesmo tempo melancólica, às vezes forte, às vezes sussurrante e desesperada. Ela vem sendo comparada a cantoras alternativas dos anos 90, como PJ Harvey e Cat Power, e também EMA e Tori Amos, tanto em relação ao estilo, às temáticas das letras, quanto à sua técnica vocal. Um tremendo elogio para um álbum de estreia. Scott explica que o minimalismo na produção foi importante para manter o álbum “aconchegante”, intimista, fazendo quem ouvisse suas músicas se sentir junto com ela, no estúdio, compartilhando seus sentimentos.Torres faz valer a expressão “menos é mais”.

“Honey” é o hit do álbum. É a música que fica mais evidente a relação com os estilos de PJ Harvey e Tori Amos, por exemplo. A letra é ressentida, a guitarra é pesada e o vocal soa levemente rasgado e cru. Mas nem todas as músicas são assim, “Jealousy and I” e “Waterfall” são mais suaves, etéreas, experimentais e bastante melancólicas. Enquanto “Chains”, por sua vez, é uma faixa que se destaca por sua morbidez quase doentia.

“Don’t Run Away, Emilie” é a única faixa que não expõe um sentimento específico de Scott, trata-se de um conselho para uma amiga, mas quem sabe? Nas entrelinhas pode ser que o conselho seja para ela mesma e para quem escuta a canção. “Moon & Back” é mais densa musicalmente, com orquestração e bateria pesadas, que surgem ao longo da música e crescem até terminarem num ápice que combina bem com a letra da canção, a ideia de ir até a lua e voltar por alguém e não receber nada em troca.

O álbum é um pequeno apanhado das experimentações de Scott, trabalhadas com perfeição para lhe garantir uma excelente estreia.

A cantora é muito calorosa em sua página no facebook e também no twitter. Responde seus fãs, compartilha algumas intimidades banais, fala sobre gatos e é bem humorada. Ela cativa com sua humildade em relação ao seu talento, entrando para um seleto rol de artistas que conseguem se expressar em relação às grandes questões emocionais da vida com honestidade e ainda deixando sua impressão e estilo. Apesar do abatimento emocional que permeia suas composições,

Torres não é um álbum depressivo. Suas músicas são tristes, porém a sensação que permanece no final ainda consegue ser positiva. O gosto agridoce de uma esperança firme, ainda que desgastada.

Diana Ragnole
Estagiária em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 13h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1 – Mother Earth, Father God
2 – Honey
terça-feira
3 – Jealousy and I
4 – November Baby
quarta-feira
5 – When Winter’s Over
6 – Chains
quinta-feira
7 – Moon & Back
8 – Don’t Run Away, Emilie
sexta-feira
9 – Come To Terms
10 – Waterfall

Revisão: Sheila Castro

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