THE VINES – WICKED NATURE

Escrito por em 29/09/2014

Em 2002 surgia uma das bandas que iria marcar a cara do novo rock mundial, a australiana The Vines. Com uma estreia formidável, o disco Highly Envolved, que ganhou disco de platina e foi indicado a diversos prêmios da música, trazia uma pegada mais pesada e nostálgica se comparada a outras bandas que surgiam na época, na nova geração “The”, como The Strokes, The Hives, The Libertines e posteriormente Franz Ferdinand e Arctic Monkeys. O que chamava a atenção no trabalho do Vines era justamente uma mistura agridoce de um rock pesado e garageiro com composições melódicas e letras depressivas. Tinha muito da atitude do grunge e da nostalgia do rock anos sessenta, um filho bastardo do Nirvana e dos Beatles.

Infelizmente, o The Vines perdeu espaço ao longo dos anos 2000 por lançar discos que de certa forma repetiam a fórmula do Highly Envolved. Se tornou uma banda subestimada, pois Winning Days e Vision Valley ainda são discos muito bons, com seus respectivos pontos altos, e chegam a explorar outros estilos como o punk rock e o stoner rock também, que não era muito comum entre as bandas da geração. O problema é que o vocalista Craig Nicholls não era uma figura fácil. Entrou em diversas brigas com produtores, fotógrafos, outros membros da banda e até fãs. Eventualmente descobriu-se que ele tem Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo mais leve, mas que como todo autismo, implica em dificuldades de interação social (coisa que explica bem seus histórico de surtos).

O fato é que a instabilidade do The Vines sempre foi parte do seu apelo. Eles eram os bad no meio dos boys. Mas durou pouco, justamente porque esse tipo de coisa estava um pouco demodê, muito anos 70. Quem estava ditando moda eram os meninos classe média branca do rock alternativo, como as bandas já citadas. Então o Vines caiu no ostracismo, lançou alguns discos bem meia boca, brigou um pouco mais com Nicholls, mas nunca desistiu da música. E cá estamos nós, em 2014, com o disco duplo Wicked Nature, primeiro disco completamente independente da banda, e co-produzido pelo seu vocalista, único membro original que permaneceu na empreitada.

A vontade de seguir em frente de Craig Nicholls é louvável, mas sua limitação criativa, que já era evidente nos discos anteriores, chega em Wicked Nature a um nível que beira a vergonha alheia. Não que as músicas sejam ruins, pelo contrário: são boas, mas são boas por serem praticamente iguais a tudo que o The Vines já fez. E é um disco desnecessariamete longo, 22 faixas (mesmo que algumas tenham entre um e dois minutos apenas). A impressão que dá é que Nicholls não soube peneirar o material e simplesmente colocou tudo o que ele tinha pronto e semi-pronto no disco. Em diversas faixas fica a sensação de que a música está incompleta ou que falta trabalho, como é o caso de “Anything You Say”, “Good Enough”, “Reincarnation” e quase todas as músicas que acabam antes de dois minutos. Não tem o menor sentido esse tipo de coisa estar no disco.

Nicholls merece parabéns pela parte técnica, a mixagem e a finalização do disco que são extremamente profissionais, mas o que ficou a desejar foi mesmo um pouco mais de criatividade. O disco tem músicas interessantes, como “Killing The Planet”, “Wicked Nature”, “Into The Fire” e “Funny Thing”, todas com mais de três minutos de duração. Coincidência? Não, elas simplesmente são mais bem trabalhadas. “Wicked Nature” seria um disco melhor se não fosse pelo monte de mini-músicas enchendo linguiça. Quatro músicas boas entre dez ou onze é bastante aceitável, mas entre vinte e duas configura fracasso.

Diana Ragnole, estagiária em Programação Musical.

 

A seguir, a lista de músicas que vão ao ar, de segunda à sexta, às 16h15:

segunda-feira

01 – Metal Zone

02 – Ladybug

03 – Green Utopia

04 – Psychomatic

terça-feira

05 – Killing The Planet

06 – Anything You Say

07 – Venus Fly Trap

08 – Good Enough

quarta-feira

09 – Out The Loop

10 – Rave It

11 – Wicked Nature

12 – Into The Fire

quinta-feira

13 – Reincarnation

14 – Love Is Gone

15 – Truth

16 – Slightly Alien

17 – Everything Else

sexta-feira

18 – Fly Away

19 – Girl I Want

20 – Clueless

21 – Darkest Shadow

22 – Funny Thing

 

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