The National – Highviolet

Escrito por em 24/05/2010

The-National-High-Violet-Album-Cover-450x450A capa colorida do disco Highviolet  do The National nos engana, pois ao ouvir as músicas entramos num ambiente cinza e nos transportamos para as ruas e kitnets da fria e melancólica Nova Iorque; são músicas com um clima tipicamente urbano. A bateria é acelerada e as guitarras distorcidas, leves e de aparência quase inexpressiva. Porém, grande parte da beleza do álbum está na mistura do rock com alguns instrumentos e sons orquestrais. Como pode-se notar na música England, que se inicia com o tom triste de um piano, e depois é cortada pelo som imponente de cornetas.
Ao ouvirmos o som pela primeira vez, ele parece não se diferenciar de outras bandas indie-rock dos EUA. Entretanto, isso muda quanto à voz de Matt Berninger, que é realmente incrível e muito atrativa. Parece que se transforma a cada música do álbum, às vezes, mais grave, às vezes, mais forçada e rouca. Porém, mesmo com essas variações de tom, a velocidade das músicas e, principalmente, os acordes trazem uma monotonia.  A linearidade do álbum pode ser apontada como referência a toda sua concepção. Junto com as repetições de acordes, pode-se notar nas letras o clima de pessimismo e melancolia que envolve o Highviolet.

Inclusive as letras do álbum são o que o tornam muito singular e praticamente obrigatório de ser ouvido. A maioria das músicas foi composta pelo vocalista Matt. Algumas são bastantes surreais, outras bem específicas aos nova-iorquinos e muito subjetivas; as mais incríveis são aquelas que retratam frustrações que, apesar de pessoais, são universais e comuns à sociedade ocidental contemporânea e que, portanto, geram maior identificação àqueles que as ouvem. Falam sobre amor e sobre a destruição que ele pode causar, como também de decepção e a falta de identidade.

Uma característica que foi apontada por muitos críticos em relação à banda foi a similaridade do tom e estilo da voz de Matt com os de muitos outros artistas. Isso faz com que o som da banda, junto com a voz de Matt, nos lembre outras bandas e indica que a The National busca sua identidade própria ao se inspirar em várias outras, tentando, por outro lado, não se parecer com nenhuma delas. Por exemplo, inicialmente, ao ouvir a sexta faixa, Bloodbuzz Ohio, achei que estava ouvindo David Bowie, mas ao ouvir o álbum novamente, torna-se claro que a voz de Matt é peculiar, inclusive, na segunda música do álbum, Sorrow, o tom ‘barítono’, que é característico de outros cantores, é o que traz à música sua maior beleza.

Barbara Roma
Rádio UFSCar

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