The Prodigy – The Day is my Enemy

Escrito por em 06/04/2015

Saber controlar as expectativas é uma tarefa importante, mas deve ter ocorrido algum engano, eu deveria estar ouvindo o mais novo trabalho de relevância da banda The Prodigy, porém, parece que eu estou ouvindo uma paródia mesquinha e muito bem construída.

O som é homogêneo, The Prodigy é The Prodigy há um quarto de século. E, sinceramente, o prestígio que eles possuíam nos anos 90 foi merecido. A pegada do rock misturada aos aparatos eletrônicos pesados e distorcidos, além da presença das figuras carimbadas, como Keith Flint e Maxim Reality compondo o cenário que dá vida as ideias doentias e soturnas de Liam Howlett, DJ, Produtor e líder da banda. Tudo isso, fez com que o grupo britânico se destacasse no cenário mundial e virasse referência para futuros artistas. The Fat Of The Land, terceiro álbum da banda, lançado em 1997, deu início a essa jornada caótica que revolucionou o conceito de música daquela época.

Depois desse trabalho, a banda lançou mais três álbuns de estúdio, nenhum com tanta relevância e inovação que o disco de 97. Porém, esses trabalhos mantiveram o público atento e os fãs aprovaram e apoiaram. Agora, dezoito anos depois de The Fat Of The Land, a banda lança seu novo trabalho chamado The Day Is My Enemy. Referência à composição de Cole Porter, chamada “All Through The Night”, com o verso “the day is my enemy, the night is my friend” (“o dia é meu inimigo, a noite, minha amiga”). Produzido por Liam Howlett e distribuído pelo seu próprio selo Take Me To The Hospital/Cooking Vinyl, o lançamento também conta com a participação dos artistas Sleaford Mods e Flux Pavillion.

O começo é explosivo, a primeira música que dá nome ao álbum possui energia, uma marcação forte do tambor, uma guitarra noise como plano de fundo e a aguda voz de Martina Topley-Bird compõem uma bela pedrada. Na sequência, “Nasty” deixou a desejar, o som é fraco, sem pulso e sem emoção, parece uma releitura cansada do que um dia a banda já foi. “Rebel Radio”, enquanto isso, é tão segura como uma casa, ruídos de arma de raios lazer e sirenes exóticas aparecem em um lugar como uma criança confusa. “Ibiza”, quarta faixa do disco, é uma sátira acida à Ilha de Baleares e seus discípulos DJs hedonistas, aí se encontra a participação de Sleaford Mods. “Wild Frontier”, “Rhythm Bomb”, a música com Flux Pavillion e a longa “Roadblox”, se encontram na clássica lista do “eu já ouvi isso antes em algum lugar”. Como um todo, o disco soa com uma tentativa de produzir um material para compor a trilha sonora de um famoso jogo independente chamado Hotline Miami.

Eu sei que quem é fã do trabalho da banda e admira os caras vai gostar do disco, pois é o mesmo The Prodigy dos outros álbuns, porém, diante de tantos recursos e novidades que temos hoje em dia, eu achei que viria algo diferente, mas no fim veio apenas o mesmo do mesmo.

Hugo Safatle

Bolsista em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 10h, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. The Day Is My Enemy
  2. Nasty
  3. Rebel Radio

Terça-feira

  1. Ibiza
  2. Destroy
  3. Wild Frontier

Quarta-feira

  1. Rock Weiler
  2. Beyond The Death Ray
  3. Rhythm Bomb

Quinta-feira

  1. Roadblox
  2. Get Your Fight On
  3. Medicine

Sexta-feira

  1. Invisible Sun
  2. Wall Of Death
  3. Rise Of The Eagle

 

 

 

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