St. Vincent – St. Vincent

Escrito por em 10/03/2014

O quarto disco da cantora Annie Clark, aka St. Vincent, era um lançamento esperado, principalmente depois de seu trabalho com o ex-Talking Heads David Byrne, em 2012, o disco intitulado Love This Giant. A parceria inusitada rendeu muitos elogios para  ambos e deixou evidente a capacidade de Clark de se reinventar a cada álbum. E agora, em 2014, somos agraciados com o disco autointitulado em que, mais uma vez, Clark nos surpreende ao encarnar St. Vincent em mais um trabalho surpreendente.

A trajetória musical de Clark sempre percorreu os trilhos da música pop. Por ser originalmente um membro do The Polyphonic Spree, é possível traçar similaridades do estilo da música do supergrupo com as músicas de St. Vincent. Um pop experimental com pitadas de estranheza e obscurantismo, embora o TPS seja mais contido nesses últimos elementos – talvez a banda não fosse dark o suficiente para Clark, por isso ela se lançou em carreira solo. Posteriormente se envolveu num trabalho com o músico Sufjan Stevens, e aí sim podemos perceber semelhanças bem fortes com St. Vincent. O experimentalismo cheio de timbres inesperados que chegam a soar quase dissonantes (provável influência do jazz), o visceralismo das letras, o lirismo obscuro, quase gótico e uma estranheza cativante.

st_vincent

St. Vincent é um disco que brinca com o ocultismo de maneira curiosa. Por um lado, temos uma simbologia bastante evidente na sua capa, temos Clark sentada num trono branco, vestida toda de preto, e com as letras S T V estilizadas em símbolos religiosos, além das letras com uma poesia bem trabalhada e sempre puxando para um clima mais pesado, obscuro e intimista;  por outro lado temos um radiofonismo  bastante forte devido ao aspecto pop das melodias, além de vermos um toque quase “diva” de Annie Clark em se mostrar um verdadeiro camaleão da música. Seu quarto disco é um salto gigantesco se comparado com seu primeiro trabalho, o Merry Me, de 2007, um disco recheado de intimidades e  timidezas de uma estreia um pouco incerta. Clark, inclusive, assume um visual diferente a cada novo trabalho, mostrando St. Vincent como uma personagem que ela modela e define ao seu bel prazer. E, uma vez que este quarto álbum leva seu nome, podemos afirmar que Clark canta sobre a própria St. Vincent, sua história, suas características, sentimentos e afins.

Além disso, ao longo do disco, temos músicas com tratamentos bastante variados, o que nos leva a crer que St. Vincent também é um apanhado de seu trabalho solo e das diversas influências que a banda teve ao longo desses 7 anos, ou seja, é um disco especial tanto para Clark quanto para quem ouve, pois podemos traçar todo o perfil psicológico e musical de St. Vincent em alguns minutos. Ao mesmo tempo, não podemos nos deixar enganar, pois por mais que seja um disco pop e fácil de ouvir, ele exige digestão para irmos até o fundo do seu propósito e essência. Clark mostra que não é preciso ser complexo para ser complexo, coisa que, ao meu ver, é genial. 2014 começou bem.

Diana Ragnole

Estagiária de Programação musical

A seguir, a lista de músicas que você confere de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira

1. Rattlesnake

2. Birth in Reverse

3. Prince Johnny

terça-feira

4. Huey Newton

5. Digital Witness

quarta-feira

6. I Prefer Your Lofe

7. Regret

quinta-feira

8. Bring Me Your Loves

9. Psychopath

sexta-feira

10. Every Tear Disappears

11. Severed Crossed Fingers

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