Sharon Van Etten – Are We There

Escrito por em 16/06/2014

Para quem não conhece, a norte-americana, originária de New Jersey, Sharon Van Etten é uma refinada songwriter perpetuamente melancólica, mas sem nunca soar chata, pois ela é capaz de compor grandes músicas desfrutando plenamente a essência da melodia, de um jeito simples, sem o auxílio de arranjos sofisticados, deixando a música correr solta e sem cair no banal.

No começo do mês passado, o quarto trabalho dela, Are We There, chegou ao mercado e quase imediatamente começou a brotar resenhas, os maiores críticos do panorama internacional destacaram o disco como uma das melhores produções do ano. A receita que justifica esse juízos é, na verdade, bem simples: um pouco de folk e um crescendo no momento certo, uma mistura equilibrada e peculiar de sonoridades típicas da tradição norte-americana, capaz de transmitir esperança, assim como te deprimir repentinamente em poucos acordes.

Sincero, as letras chegam ao limite da tragédia “Break my legs so I won’t walk to you / Cut my tongue so I can’t talk to you / Burn my skin so I can’t feel you / Stab my eyes so I can’t see”, as palavras sangram, a dor é explícita quase no disco inteiro, o que  não deixa espaço para um romantismo adolescente e efêmero. Quase impossível não lembrar do King Ink, o mestre das paixões obscuras Nick Cave, ou da mais nova Anna Calvi, com a qual compartilha o phatos e a solenidade nas percussões enfatizadas,  que marcam o ritmo da faixa “Your Love Is Killing Me”.

Ao longo do disco encontramos também momentos excessivamente pop’s como na faixa “Taking Chances” ou “Our Love”, pequenas pérolas que brilham com luz própria, embora estes episódios  não mudem absolutamente a atmosfera do disco. Do ponto de vista musical, Are We There não é um disco que representa um revolução do gênero, mas que se destaca pela força e intensidade com a qual a Jersey Girl se expõe, contando os seus amores, as suas tristezas e as dificuldades encontradas pelo caminho, mas sem se tornar uma lamentação estéril.

O disco se encerra com a balada “Every Time The Sun Comes Up”, talvez a única música na qual a dor é sublimada e transparece uma esperança e a vontade de mudança: «maybe something will change», para depois voltar na primeira faixa e ouvir tudo de novo.

Paz!

Mauro Lussi

Coordenador de Programação Musical e DJ da Rádio UFSCar

Segunda-feira

Afraid of nothing

Taking chances

Terça-feira

Your love is killing me

Our love

Quarta-feira

Tarifa

I love you but I’m lost

Quinta-feira

You know me well

Break me

Sexta-feira

Nothing will change

I know

Every time the sun comes up

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