Savages – Silence yourself

Escrito por em 03/06/2013

2013 é o ano das mulheres. Além de presenciarmos a ascensão feminina aos cargos de poder, também vemos diversas manifestações feministas ao redor do mundo; além, claro, do surgimento de grandes artistas no mundo da música. Entretanto, a voz feminina quase sempre vem associada  à sua figura, e é justamente isso que a banda inglesa Savages busca desmistificar.

A banda inglesa liderada por Jehnny Beth (vocal) e Gemma Thompson (guitarra) pode ser considerada uma banda de pós-punk, embora tenha muito do próprio punk em seu repertório. O disco de estreia, Silence Yourself, traz um manifesto na capa, que também está presente na abertura da faixa “Shut Up”, single do disco, mas apenas na versão de videoclipe. O manifesto fala de um mundo no qual estamos sempre recebendo estímulos demais, informações demais, e que deveríamos aprender a filtrá-los. Um mundo em que existem muitas vozes e todos deveriam silenciar-se para encontrar uma só voz. Por isso, o nome Silence Yourself. Nome que, por outro lado, é bastante paradoxal em relação ao som pesado e em nenhum momento silencioso que a Savages toca.

O grupo faz um som pós-punk noisy, bem dark, que pode ser facilmente associado ao trabalho do Joy Divison, PJ Harvey e Patti Smith, por exemplo. A banda inglesa traz uma espécie de “girl power” atualizado. Não aquela ideia de garotas-heroínas animadas e poderosas em sua feminilidade que ficou famosa durante os anos 90 com as girlbands estilo Spice Girls. O Savages segue a linha que a própria Patti Smith começou ao se introduzir num universo predominantemente associado aos homens: o do rock. Mais especificamente o rock das composições revoltosas e/ou depressivas, assim como fizeram posteriormente as cantores PJ Harvey, Cat Power, e mais atualmente a Karen O, do Yeah Yeah Yeahs, além das garotas do The Black Belles e a cantora Torres.

Mas não é só de pauleira que se faz o som das moças, por isso o trabalho delas dialoga com o de outras diversas bandas e cantoras. Apesar do rock pesado ser predominante no disco, existem algumas faixas que puxam mais para o lado da depressão ao invés da revolta, como é o caso da última faixa,  chamada “Marshal Dear” que conta com um belo solo de clarinete do multi-instrumentista Duke Garwood.

O Savages mostra como a agressividade e os sentimentos revoltosos estão presentes na natureza feminina tanto quanto na masculina, e fazem isso de forma ambígua, criando letras nas quais se confundem os gêneros,  não sabemos exatamente se trata-se de um homem ou uma mulher, e também mostram isso visualmente, pois não é uma banda que aposta em sua imagem feminina e sim na mensagem de suas músicas para atingir seu público. No fundo, a banda busca negar a distinção entre gêneros, fazendo um caos sonoro que pode só pode ser associado como uma manifestação de pessoas selvagens.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Shut up
2. I am here
terça-feira
3. City’s full
4. Strife
quarta-feira
5. Waiting for a sign
6. Dead nature
quinta-feira
7. She will
8. No face
sexta-feira
9. Hit me
10. Husbands
11. Marshal dear

Revisão: Sheila Castro

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