Red Hot Chilli Peppers – The Getaway

Escrito por em 20/06/2016

É isso mesmo, você aí fã dos californianos mais malucos e frenéticos do planeta, pegue seus fones de ouvido e se prepara pra sair por aí comemorando que Anthony Kieds, Flea, Chad Smith e Josh Klinghoffer finalmente estão de volta com a Red Hot Chilli Peppers. Décimo primeiro disco da carreira dos peppers e cinco anos após o controverso I’am With You (2011), The Getaway, lançado nesta última sexta feira, é acima de tudo, uma tentativa da banda de se reinventar e reencontrar o seu lugar nesta nova década. E para tanto, fato mais importante que o próprio desempenho dos músicos, foi a opção pela troca da produção musical do veterano Rick Rubin, que acompanhava os trabalhos da banda desde Blood Sugar Sex Magik (1991), pelo muito mais novato e não menos talentoso Danger Mouse, conhecido pelos bons resultados com a Broken Bells, The Black Keys e Gnarls Barkley, principalmente.

Entre acertos e erros, vale ressaltar que a tentativa de se modernizar com um produtor arrojado, que trouxesse algo que o grupo sozinho não poderia desenvolver, foi um tanto apropriada. Se no penúltimo compacto, grande parte das reclamações da crítica e do público foram no sentido de o grupo não apresentar nada que justificasse emergir do limbo, em The Getaway não dá pra dizer que eles ao menos não tentaram, deixando a desejar apenas por não terem se aventurado ainda mais nesta quase que inédita tentativa, visto que o melhor do disco está justamente naquelas que os músicos estiveram mais dispostos a arriscar e conseguiram se entender com o novo produtor.

O primeiro single do disco “Dark Necessities” dá início aos novos ares inspirados pela banda, e se ainda não desapega de vícios acumulados durante décadas, como a exagerada dependência das linhas do Flea e as letras de qualidade duvidosa de Kieds, ao menos é mais uma daquelas pra tocar bem alto no rádio e relembrar clássicos do grupo sem soar por demasiado nostálgico. “Go Robot” e “The Getaway” são as prováveis melhores músicas do compacto e também devem ser os próximos singles de trabalho da banda; é, sem dúvida, aquelas nas quais o casamento do velho rock funkeado do grupo melhor funcionou com as intervenções modernas de Danger Mouse, resultando em faixas que, ao mesmo tempo que são dançantes e espertas, também farão sorrir o ouvinte mais acostumado com os peppers, principalmente, dos anos 2000. Ainda nos pontos altos do registro, temos uma faixa daquelas do lado mais melódico da banda; “The Longest Wave” é uma boa tentativa, mas apenas sobrevive, e não se equipara ao melhor das melodias de Frusciante;”Sick Love”, a mais radiofônica do álbum, traz mais daquele mesmo clima “califórnia pra cá, california pra lá” que, como bem sabemos, já encheu o saco, mas também não deixa de ser o melhor da RHCP numa nova roupagem.

redhotchillipeppers

É triste perceber isso, mas a banda parece escorregar naquelas faixas que mais parecem tentar saudar a antiga RHCP. O baixo de Flea ainda é brilhante e somente dele, mas já não parece mais tão espetacular assim depois de tudo o que já ouvimos em outros registros; o papo sexual da califórnia de Kieds simplesmente não convence mais, letras confusas e que não dizem muita coisa não colam em um mundo que clama por alguém com ideias e objetivos muito claros na cabeça; Chad Smith nunca deixará de ser ótimo, mas parece brigar à tapa pra ver quem se destaca mais no ideal moderno e sintético proposto pelo novo produtor; e Josh, coitado, por mais que se esforce pra imprimir um estilo, não dá pra negar que é tão somente uma sombra daquilo que Frusciante já foi um dia. Resultado dessa premissa toda é a deprimente segunda metade do disco, na qual em resumo é uma enorme bobagem com faixas fraquíssimas, culminando na provável pior faixa já composta pelo grupo, “Dreams of a Samurai”, um “post alguma coisa” desprovido de qualquer noção de objetivo, que me faz questionar se a banda fazia alguma ideia de onde é que queria chegar com este novo registro.

Não dá pra negar que a Red Hot Chilli Peppers é hoje o tiozão que colou de all star no rolê pra parecer mais jovial. Mas se o tiozão é um enorme pé no saco quando tenta falar demais do passado e “ensinar” essa nova geração como é que se faz a cozinha e a escola, até que ele se sai bem quando se esforça pra extrair o melhor daquilo que enxerga atualmente. Torcemos pra que nos próximos anos a banda consiga compreender melhor que não dá mesmo pra viver apenas do passado e retorne com um disco mais ousado que este porque qualidade a gente sabe que nunca faltou e que nunca faltará à banda.

Raul Ribeiro, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – The Getaway

2 – Dark Necessities

3 – We Turn Red

Terça-feira

4 – The Longest Wave

5 – Goodbye Angels

6 – Sick Love

Quarta-feira

7 – Go Robot

8 – Feasting on the Flowers

9 – Detroit

Quinta-feira

10 – This Ticonderoga

11 – Encore

Sexta-feira

12 – The Hunter

13 – Dreams of a Samurai

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