Radiohead – The King of Limbs

Escrito por em 14/03/2011

Radiohead-The-King-of-Limbs-2011Novo disco do Radiohead nunca é um assunto fácil. A banda inglesa é conhecida por álbuns polêmicos, onde a experimentação e a ousadia dividem opiniões, mas sempre deixam uma marca na música contemporânea. Seja pela sonoridade ou pelos formatos de produção e distribuição, o Radiohead nunca passa “em branco” e o lançamento, The King of Limbs, não foge a esta regra.

Quando, em 1997, o quinteto de Oxford lançou seu terceiro álbum, Ok Computer, uma nova página foi escrita na história da música e aquela que até o momento era tida como “mais uma banda de rock” se tornou um parâmetro do que “está por vir” na música. Não que isso queira dizer que todo disco do Radiohead seja necessariamente uma obra prima, mas desde a excelência de Kid A (2000), a politização em Hail to the Thief (2003) e a criatividade de In Rainbows (2007) há também discos complementares que apresentam a evolução da banda, como Amnesic (2001) e é aí que entra The King of Limbs.

Após a finalização de In Rainbows, a banda anunciou que processos longos e dolorosos de criação não voltariam a acontecer no Radiohead, mas uma nova fase se inicia para a banda e mostra novamente uma tendência na postura artística dos músicos: o formato de álbum está sendo repensado. Com apenas 37 minutos de duração, The King of Limbs é um disco coeso do começo ao fim, não tem faixas que fogem à proposta específica de construir melodias através de ruídos e o limiar constante entre os elementos eletrônicos e orgânicos, até baixo, guitarra e bateria aparecem com timbres, ritmos e melodias instigantes.

Sem revolucionar sua sonoridade, a banda soma características da drone music ao post-rock levando-as para um álbum essencialmente “não Rock”, sem também negar a trajetória que vem desenhando em seus discos. Os destaques vão para as músicas “Give Up The Ghost”, “Morning Mr Magpie”, “Feral” e o primeiro single “Lotus Flower”, faixas que mostram um Radiohead que trocou os ruídos das guitarras distorcidas por sintetizadores ruidosos, mas que trazem as características melódicas que marcaram a banda. Um disco intermediário, mas necessário.

Em um cenário musical recheado de melodias fracas, letras vazias e hits descartáveis e em um cotidiano cultural marcado pelas mensagens curtas e rasas, o Radiohead vem na contramão e faz um disco denso, difícil, criativo e promove uma experiência sonora marcante. Muito ainda está por vir.

Ricardo Rodrigues
Diretor Geral da Rádio UFSCar

A seguir, a lista das músicas que você ouve de segunda a sexta-feira, às 16h00, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira
01. Bloom
02. Morning Mr Magpie

Terça-feira
03. Little By Litte
04. Feral

Quarta-feira
05. Lotus Flowers
06.Codex

Quinta-feira
07. Give Up the Ghost
08. Separator

Sexta-feira
01. Bloom
02. Morning Mr Magpie

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