PUP – The Dream Is Over

Escrito por em 13/06/2016

Diretamente do fundo do poço, a banda canadense PUP brilha com o seu poderoso primeiro álbum de estúdio chamado The Dream Is Over. O quarteto formado por Stefan Babcock no vocal e guitarra, Steve Sladkowski na guitarra, Zack Mykula na bateria e Nestor “Mr. Fancy” Chumak no baixo, ficou reconhecido com o seu primeiro EP autointitulado lançado em 2014. O sucesso foi tanto que só nesse ano a banda fez mais de quatrocentos shows.

Em The Dream Is Over, a história não será diferente. O disco traz uma potência inacreditável. Além de serem jovens, eles fazem parte de uma nova geração do pop punk e, acredite, eles fizeram o seu dever de casa. Diferente daqueles que propagaram o gênero nos anos 2000, como o Blink 182, a PUP faz um punk totalmente sincero, fracassado como Joey Ramone e furioso como Syd Vicious. O vocal é sujo, rasgado, as guitarras também são sujas e muito distorcidas, enquanto o baixo e a bateria frenéticos não permitem um segundo de pausa.

pup

A autodepreciação e a derrota há muito tempo não era tão poderosa. O próprio nome do disco já diz tudo, o sonho acabou. Foi o que o médico disse para Babcock, vocalista do grupo. Sua resposta foi um álbum que tem sua voz rouca no comando, mas ele não ficou sozinho nessa. Todas as canções são recheadas de versos cantados por todos os membros da banda, o que só torna o som mais pesado. Sem medo, Babcock tira sarro de si próprio o álbum inteiro. A faixa que dá início ao trabalho, “If This Tour Doesn’t Kill You I Will”( Se essa turnê não te matar eu vou), já abre as portas com sarcasmo ao alerta de seu médico. Porém, entre versos desesperados, como na terceira faixa “Doubts” que traz a indagação “O que me resta perder? O que eu deveria fazer agora?”, sem nunca mostrar uma solução para seus problemas, há também toda uma construção musical que surpreende. Com a velocidade de grupos como Cerebral Ballzy e com toda a musicalidade dos seus conterrâneos do Billy Talent, PUP faz um som refinadíssimo, com ótimas melodias e riffs totalmente cativantes, como na acelerada “My Life Is Over and I Couldn’t Be Happier” e a destruidora “DVP”. É difícil acreditar como uma guitarra consegue tocar um riff melódico tão rápido.

Apesar de toda a fúria e baixa autoestima, PUP em nenhum momento faz discursos de ódio. O disco é um retrato autodestrutivo da própria e embriagada vida de Babcock. Diferente dos extintos emos dos anos 2000, os jovens da PUP abordam sua desgraça adolescente com muito bom humor, sem abandonar as raízes do punk, não só na musicalidade, mas também no objetivo de nunca parar de tocar e tocar em qualquer lugar. The Dream Is Over, no final das contas, é uma mensagem de que só a morte pode pará-los e esse é o lado positivo do disco, já que a PUP veio pra ficar.

Hugo Safatle, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – If This Tour Doesn’t Kill You, I Will

2 – DVP

Terça-feira

3 – Doubts

4 – Sleep In The Heat

Quarta-feira

5 – The Coast

6 – Old Wounds

Quinta-feira

7 – My Life Is Over and I Couldn’t Be Happier

8 – Can’t Win

Sexta-feira

9 – Familiar Patterns

10 – Pine Point

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