New Order – Music Complete

Escrito por em 26/10/2015

Difícil não suspeitar de parte desses lançamentos de bandas já há um tempo inativas. Fala sério, todo mundo sabe que um dia os royalties já não rendem mais o que outrora rendiam e que, com o tempo, aquilo que fazia muito sentido para uma geração, talvez já não faça para outra. Mas é assim que é, seja por uma jogada esperta de marketing, seja pelos fãs, ou até mesmo pela genuína vontade de se expressar e voltar à ativa com material novo. O fato é que todo ano tem pelo menos um lançamento que configura essa nostalgia toda. E não tem jeito, me desculpe a velha guarda, mas por mais que seja importante o esforço em sair da viciante espiral de tocar apenas as consagradas, a polêmica sempre vai rolar e comparações com os anos de ouro serão inevitáveis.

E as expectativas estavam altas para o primeiro álbum de inéditas dos britânicos da New Order, há mais de 10 anos sem gravar (apesar de Lost Sirens, disco de sobras, lançado em 2013). Dúvidas se faziam presentes sobre a reformulação dos integrantes, leia-se a saída do icônico e polêmico baixista Peter Hook, que pra ajudar, ainda fazia o favor de malhar a banda, originalmente formada por ele e por Bernard Sumner (vocal/guitarra), Stephen Morris (bateria/bateria eletrônica) e Gillian Gilbert (sintetizadores/guitarra), em toda e qualquer oportunidade. E em meio a esse questionamento, com o recém-lançamento do décimo álbum da banda, Music Complete, em parceria da Mute Records (Erasure, Depeche Mode, Goldfrapp), uma pergunta não poderia deixar de acontecer: vale mesmo a pena ou é só mais um daqueles álbuns pra agradar os antigos fãs?

Bom, não é como se a banda tivesse se reinventado com um material incrível ou algo do tipo, longe disso, dificilmente você escutará alguém (que nunca tenha ouvido falar de New Order antes) te indicando esse som pra ouvir em pleno 2015. Mas a verdade seja dita, não dá pra negar que o disco tenha o seu valor. E, diga-se de passagem, Peter Hook deve estar um tanto incomodado, já que seu substituto, o baixista Tom Chapman, não deixou nada a desejar com as boas frases trabalhadas no baixo.

Com um esforço em se atualizar, o grupo convidou a ótima Elly Jackson (La Roux), e o vocalista Brandon Flowers (The Killers), para algumas composições. E mais do que isso, com Stuart Price e Tom Rowlands (The Chemical Brothers) na produção do disco, a banda garantiu que o lançamento fosse melhor do que grande parte do que colocou no mercado nos últimos 20 e tantos anos. É como se o grupo tivesse acertado em cheio ao se distanciar da falha tentativa de inovar, colocando as guitarras e o rock’n’roll em destaque, como praticado nos lançamentos da década passada, além de ter prezado por um retrato mais fiel daquilo que o New Order já foi um dia. Ponto por terem dado mais valor ao que sempre souberam fazer muito bem: melodias fáceis, batidas eletrônicas, sintetizadores sobrepondo guitarras simples e aquela vibe de uma “party hard“, feita por gente introspectiva e sem muita noção do que é uma party hard de verdade.

E apesar de pecar pela inconstância, como grande parte dos álbuns da banda, músicas como “Restless” e “Singularity”, trazem marcas do pós-punk, herdado pela experiência com o Joy Division, já as dançantes e eletrônicas “Plastic” e “Trutti Frutti”, possuem aquela aura do equilíbrio certeiro que caracterizou o legado de uma das bandas mais importantes para a música pop dos últimos 35 anos. E é exatamente isso que é agradável, não é como se esperássemos que o New Order participasse de algum tipo de nova onda musical, coisa da qual já pode se orgulhar de ter contribuido bastante, apenas esperávamos que a banda honrasse sua própria história e não parecesse ultrapassada ou deslocada musicalmente.

Em resumo, vale ir ao show pra se emocionar com as antigas e compreender melhor as novas canções, e também vale mandar faixas do Music Complete no meio daquele setlist preparado especialmente pra madrugada. Enfim, ainda é bem provável que os shows de lançamento de Music Complete sejam 80% nostalgia, com gente chorando com “Bizarre Love Triangle”, tocada durante incessantes 20 minutos. O que é ótimo, porque a gente vai ao show do New Order pra isso mesmo. Mas valeu o esforço em tentar resgatar a própria história, trazendo canções que dialogam com o público que é fã da discografia da banda e também com aqueles que hoje escutam seus herdeiros musicais diretos, às vezes sem nem mesmo saber, que lá nos anos 80, o New Order já dava sinais de como é que a coisa ia se desdobrar no século XXI.

Raul Ribeiro, estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado às 15h, aqui na 95,3FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Restless

2 – Singularity

Terça-feira

3 – Plastic

4 – Trutti Frutti

Quarta-feira

5 – People On The High Line

6 – Stray Dog

Quinta-feira

7 – Academic

8 – Nothing But A Fool

Sexta-feira

9 – Unlern This Hatred

10 – The Game

11 – Superheated

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