Neil Young + The Promise Of The Real – The Monsanto Years

Escrito por em 29/06/2015

Que Neil Young é um cara que leva seu trabalho a sério todo mundo já sabe. Ele lançou seu primeiro trabalho solo em 1968 e de lá pra cá já foram 36 discos. Em média, um por ano. Que ele é completamente engajado em questões ambientais também não é novidade, já que o artista tem 69 anos e ainda é um hippie. A novidade é que, na semana passada, o ícone do folk lançou seu mais novo álbum chamado The Monsanto Years, gravado com a banda The Promise Of The Real que conta com Lukas e Micah Nelson (vocais e violão, respectivamente), filhos do cantor Willie Nelson; Anthony LoGerfo na bateria, Corey McCormick no baixo e Tato Melgar na percussão. A ideia surgiu após Young e a banda terem tocado juntos em um evento de caridade no ano passado. O grupo acabou fazendo algumas jam sessions e a partir daí passaram a gravar um novo disco. O local escolhido para a gravação foi o Teatro in Oxnard, na Califórnia, local em que Willie Nelson gravou seu álbum Teatro. As gravações ocorreram em abril de 2015 e em breve deverá sair um documentário com os bastidores desse processo.

 No comando dessa equipe de ouro, Neil Young construiu sua arma musical contra grandes empresas, como Starbucks, Wallmart e Chevron. Mas o grande alvo é, sem dúvida, a polêmica empresa multinacional de agricultura Monsanto.

A grande verdade sobre esse disco é que mais cedo ou mais tarde ele viria à tona, como uma forma de protesto do cantor, que há anos vem palestrando em ONGs, festivais e universidades sobre as questões ambientais. Agora ele finalmente conseguiu transformar sua causa em nove faixas de um bom álbum. Não me levem a mal, mas Neil Young é uma máquina de discos. De quatro anos pra cá ele lançou quatro discos. Em 2012 foi o álbum Folk Americana. No mesmo ano, ele lançou Psychedelic Pill, junto com a banda Crazy Horse. Em 2014, A Letter Home, gravado em parceria com o músico Jack White em uma cabine dos anos 40. No mesmo ano, ele lançou Storytone, um disco duplo. Como você pode ver, o cara gosta de se manter ocupado. A questão em The Monsanto Years é que, musicalmente falando, o disco não traz nada de novo. Tudo soa exatamente como o clássico Neil Young: acordes simples, belas melodias, lindos solos de guitarra e a voz de veludo do cantor. Por mais habilidosa que seja a banda de apoio, não há força suficiente para mudar o som dele. Sinceramente, se em quarenta anos pouca coisa mudou, sinto muito, mas dificilmente mudará agora.

 Por outro lado, o que merece destaque nesta obra são as letras das músicas. Neil Young não ficou nem um pouco tímido e soltou a voz com críticas diretas. Na canção “Rock Star Bucks a Coffee Shop” ele diz:

“Quando o povo de Vermont votou para rotularem os alimentos com OGM (Organismos Geneticamente Modificados) / para que pudessem descobrir o que estavam comendo e o que o agricultor cultiva / Monsanto e Starbucks iniciaram a luta das mercearias de manufatura e processaram o estado de Vermont / para derrubar a vontade do povo”

  Já em “Monsanto Years” ele ataca diretamente a empresa:

“As sementes da família que eles costumavam guardar eram presentes de Deus, não da Monsanto/ Seus filhos ficam doentes perto das colheitas envenenadas / Enquanto trabalham, não conseguem encontrar um jeito simples de parar a Monsanto”.

 Na faixa rock “Big Box” ele fala que a partir de uma decisão da Suprema Corte norte-americana, em 2010, as corporações passaram a ter os mesmos direitos que as pessoas e também de como os governos, as leis e a democracia estão corrompidos pelo dinheiro:

“Eles não querem cair, e quando caem, caem em você/ Muito grandes para falhar, ricos demais para ir pra cadeia”.

No total, The Monsanto Years é um reflexo de todo o ativismo presente na carreira de Neil Young. Ele chega em 2015 como um soldado empunhando sua guitarra e sua gaita em prol da mãe natureza. Eu admiro sua atitude de acreditar no poder da própria música e, principalmente, de fazer uso de sua influência para combater esse dragão. Agora, só nos resta saber se sua mensagem fará alguma diferença.

Hugo Safatle

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15:30, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira

  1. New Day for Love

Terça-feira

  1. Wolf Moon
  1. People Want to Hear About Love

Quarta-feira

  1. Bix Box
  1. Rock Star Bucks a Coffee Shop

Quinta-feira

  1. Workin’ Man
  1. Rules of Change

Sexta-feira

  1. Monsanto Years
  1. If I Don’t Know
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