Neil Young – Le Noise

Escrito por em 31/01/2011

ÍndiceÉ só indo para frente que se pode descobrir coisas novas. O solitário urso canadense com 65 anos de idade, Neil Young, aprendeu isso ao longo da sua carreira que inciou na metade dos anos sessenta, quando ficou mundialmente conhecido pela sua participação no festival de Woodstock, junto com os parceiros Crosby, Still e Nash.

Muito tempo se passou e muitos discos foram gravados, pelo quarteto acima citado, com The Buffalo Springfield e com os companheiros de sempre, The Crazy Horse. Álbuns que ficarão para sempre na história do Rock como Déjà Vu, Harvest e Rust Never Sleeps, só para lembrar alguns dos mais de 50 discos que encontramos no currículo dos artistas.

Neil Young decidiu fechar a primeira década deste século com mais uma obra-prima. Le Noise é um disco inusual, mas não muito se olharmos o caminho deste artista ecleticamente inteligente e, acima de tudo, atento ao mundo contemporâneo. Produzido por outro grande figura do Rock, o compatriota Daniel Lanois – conhecido por ter trabalhado com grandes nomes do cenário musical internacional, como Peter Gabriel, U2, Bob Dylan, entre outros –, Le Noise, jogo de palavras com o nome do produtor, é um álbum de voz e guitarras elétricas, com a exceção de duas faixas unplugged: Love And War, uma melodia folk que acompanha quase seis minutos de poesia acústica e Peaceful Vally Boulevard, uma daquelas baladas melancólicas que tem um cheiro antigo.

O restante do disco é dominado por guitarras gravadas em várias camadas, mixadas com maestria e cheias de efeitos: feedback, revérberos, ecos, loops e delays, dos quais o alquimista Lanois consegue destilar todos os sons necessários para construir uma obra inovadora e atual, deixando uma base consistente onde a forte identidade artística de Neil Young se expressa melhor.

Abre o disco a áspera Walk With Me, um convite a entrar numa viagem cheia de surpresas, pouco mais de 4 minutos de magma sonoro da onde emerge a caraterística voz do Neil e, logo na sequência, Sign Of Love, na qual, de cara, aparece a distância entre as líricas que falam de amor e o som pesado e sujo que acompanha a voz levemente distorcida. Destaque também para Angry World, onde os loops nos vocais e o riff repetido dominam a música inteira que, talvez, seja aquela melodicamente mais curada, que boia numa mistura sonora simples e barulhenta; logo depois, vem a agressiva Hitchhiker, à espera da entrada de uma sessão rítmica que nunca chega.

Sem dúvida, Le Noise é um disco noturno, mas não dramaticamente intimista, afinal, só na escuridão se enxerga o brilho das estrelas e, depois da noite, o sol volta a raiar como todos os dias. Não deixe de conferir esta obra-prima do cavaleiro solitário!

Paz!
Mauro Lussi
Programador musical e DJ da
Radio UFSCar

A seguir, a lista das músicas que você ouve de segunda a sexta-feira, às 16h00, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira
1.Walk with Me
2.Sign of Love

Terça-feira
3.Someone’s Gonna Rescue You
4.Love and War

Quarta-feira
5.Angry World
Quinta-feira
6.Hitchhiker

Sexta-feira
7.Peaceful Valley Boulevard
8.Rumblin

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