Muse – The 2nd Law

Escrito por em 08/10/2012

Essa resenha é um tanto pessoal para mim. O Muse foi minha banda favorita por um bom tempo e com razão. A cada lançamento novo, a banda parecia se reinventar, adicionando novas influências e aperfeiçoando seu som característico desde o álbum de estreia, Showbiz. Isto é, até Black Holes And Revelations. O álbum marcou o maior sucesso comercial da banda, com a música “Supermassive Blackhole”, tocando em trilhas sonoras de certos filmes indignos, foi também o último excelente disco do grupo.

O que sucedeu Black Holes And Revelations foi o fraco The Resistance: um álbum que tentava, de todas as maneiras, ser épico e falhava miseravelmente na maioria das vezes; tentava ser o resumo de toda a carreira da banda até então, mas que sempre acabava caindo na auto-paródia. Enfim, depois dessa decepção, prometi não criar expectativa alguma para qualquer trabalho posterior do grupo.

Mas eis que hoje, três anos depois de The Resistance, estou aqui escrevendo a resenha do mais novo esforço do grupo: The 2nd Law – e, surpreendentemente, não é de todo negativa!- é meio irônico, mas aprendi a aceitar que Muse é meu guilty pleasure (termo em inglês utilizado para se referir a algo que a gente curte mesmo sabendo que é ruim).

Acho que o segredo de The 2nd Law foi começar com polêmica: a primeira música a sair desse disco foi um “dubstep orquestral”, acompanhado de um clipe estranho sobre teorias da conspiração e robôs. Basicamente, o Muse fez de tudo para que as expectativas dos fãs fossem as mínimas possíveis antes de lançar o som. E funcionou.

Para quem esperava ouvir um Muse totalmente descaracterizado (ou seja, todos que acompanharam a campanha de The 2nd Law), o riff inicial da faixa de abertura, “Supremacy”, foi uma surpresa bem agradável: a música parece uma daquelas jams instrumentais que a banda é famosa por fazer ao vivo, assistida por uma orquestra que, sinceramente, é desnecessária, mas também não prejudica. “Supremacy” dá início não só ao álbum, como também a uma sequência de faixas genuinamente boas.

A já conhecida “Madness” marca a continuação da experimentação com o R&B que a banda vem realizando desde “Undisclosed Desires” (um dos poucos acertos de The Resistance) e mantêm uma linha de baixo hipnotizante que carrega a música inteira, culminando num final excessivamente influenciado por U2, mas que é bem curto e, por isso, suportável. O que vem a seguir é talvez a grande surpresa do álbum e também finaliza a excelente sequência de abertura: é impossível não dançar ao som de “Panic Station”, que soa como um Muse tentando tocar Prince e, surpreendentemente, fazendo um bom trabalho.

Infelizmente, o que se sucede é “Survival”, a fraquinha música tema das Olimpíadas (que é até legal ao vivo, com um Matthew Bellamy louco andando de uma ponta a outra do palco, enquanto um coral canta ao fundo), que sofre do mesmo problema presente em The Resistance: a auto-paródia. Não dá para segurar o riso ao ouvir letras tão clichês cantadas com tanta convicção, ao fim de tudo é difícil não se perguntar se o Muse estava realmente se levando a sério quando escreveu essa música.

Por pior que “Survival” seja, “Follow Me” consegue piorar: uma linha de sintetizador que lembra a clássica “Bliss” (do álbum Origin Of Symmetry) entra para atiçar um pouco as expectativas do ouvinte, mas a letra – novamente bem clichê – aliada a um refrão que absorve desajeitadamente “algo” do dubstep, machuca demais a música para que ela seja aproveitável.

Mas tudo bem, pois depois do desastre de “Follow Me”, temos “Animals”, que dá um tempo com o pop, abraçando novamente o peso de “Supremacy” e reanimando as coisas. Infelizmente, “Explorers”, a genérica baladinha, vem depois para acalmar tudo novamente – e haja força de vontade para não cair no sono! “Big Freeze” até tenta, mas o excesso de U2 realmente não a ajudam a trazer as coisas de volta ao normal.

Quando tudo parece estar perdido, eis que uma nova voz aparece para salvar o final do álbum: o baixista, Chris Wolstenholme, assume os vocais da calma “Save Me” e da agressiva “Liquid State” e de certa forma, consegue trazer o interesse do ouvinte de volta ao álbum, mesmo que apenas para apreciar essa voz diferente, tão contrastante com o estilo característico de cantar do frontman, Matthew Bellamy.

O álbum finaliza com a dupla de faixas-título: “Unsustainable” e “Isolated System” estão dispostas de forma similar à fraca “sinfonia” que foi “Exogenesis” (de The Resistance) e acabam configurando uma nova “tradição” para a banda, a de finalizar álbuns com faixas essencialmente instrumentais, divididas em partes. Enfim, sobre as faixas em si, “Unsustainable” é a rendição de Muse ao dubstep“tocado com instrumentos de verdade”, a fusão com a orquestra é até bem feita, certamente uma divisora de águas entre os fãs. “Isolated System” remete mais à previamente mencionada “Exogenesis”, mas dessa vez a duração não é tão exagerada e os arranjos minimalistas aliados aos elementos da música eletrônica contribuem para a criação de um ambiente sonoro bem rico, que acaba por fornecer um final bem “classudo” para um álbum bem difuso.

The 2nd Law é prejudicado principalmente pela ordem das faixas, que concentra músicas muito boas e animadas num extremo e faixas fracas e calmas em outro. Há muita coisa boa no disco, que por si só redimiria a bagunça que foi The Resistance, mas, infelizmente, também tem muita coisa dispensável no meio. The 2nd Law  pode representar tanto um passo na direção certa como um passo na direção contrária, resta ao próximo álbum responder a essa pergunta.

Henrique Gentil,
Bolsista de Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Supremacy
2. Madness
terça-feira
3. Panic Station
4. Prelude
5. Survival
quarta-feira
6. Follow Me
7. Animals
quinta-feira
8. Explorers
9. Big Freeze
10. Save Me
sexta-feira
11. Liquid State
12. The 2nd Law: Unsustainable
13. The 2nd Law: Isolated System

Revisão: Sheila Castro

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