Mosquito – Yeah Yeah Yeahs

Escrito por em 22/04/2013

Mesmo com mais de uma década de estrada Karen O mantém sua reputação, trazendo novidades estéticas e musicais ao Yeah Yeah Yeahs. A vocalista sul coreana tem um estilo bastante próprio, criou uma identidade na qual a banda do brooklyn novaiorquino se baseia, de forma que se cria muita expectativa em cima de todo lançamento do Yeah Yeah Yeahs. Vai ver foi por isso que Mosquito, álbum lançado dia 16 de abril, foi considerado um disco morno. Depois de conquistar o mundo com seu primeiro álbum Fever To Tel e, principalmente, com o emocionante single “Maps, continuar surpreendendo a cada novo trabalho é uma tarefa difícil, mesmo para a criativa banda de Karen O. Por isso mesmo acho injusto que o álbum tenha recebido críticas por se manter num território musicalmente seguro.

Mosquito soa como uma viagem por todos os estilos musicais que o YYY já explorou. A banda é conhecida por misturar elementos retrôs que vão dos anos 60 aos 80, com riffs de guitarra puxados para o punk rock, adicionados a um trabalho de mixagem que deixa as músicas bastante dançantes, embora, ao vivo, suas apresentações tenham uma veia rockeira bem evidente. Neste disco podemos desfrutar de tudo isso.

Na faixa “Area 52”, cujo refrão “I wanna be your alien” parece uma referência direta ao hit punk “I wanna be your dog”, do Stooges, temos a presença de uma guitarra suja quase noisy, junto com um trabalho eletrônico bastante psicodélico que passa uma ideia espacial à faixa. Há também a sombria e pesada “Buried Alive” que remete ao trabalho feito em “Maps”: um riff de guitarra frenético abrindo a faixa, uma letra depressiva e um clima pesado permeando a música do começo ao fim; a diferença é a participação do rapper Dr. Octagon quebrando com a melancolia ao mandar suas rimas.

Em contraponto às faixas pesadas e mais rockeiras, temos também uma série de canções melancólicas, quase dream pop, espalhadas pelo álbum, como “Subway”, “These Paths” e “Wedding Song”. E ainda, para equilibrar essa melancolia toda, algumas músicas aparecem para dar um ar alegre ao Mosquito e mostrar aquela energia do YYY que faz todo mundo querer cantar e dançar, como é o caso de “Despair” e “Slave”.

E eu não poderia deixar de falar da faixa “Sacrilege”, música que abre o disco e que ganhou um clipe bastante controverso que viralizou na internet, mostrando, de trás para frente, a história de uma garota condenada a arder na fogueira por seduzir e levar para a cama diversas pessoas de uma pequena cidade, homens e mulheres, incluindo um padre. A faixa cresce de um minimalismo melancólico, focado na voz de Karen, até chegar a um coral gospel quase raivoso que repete o refrão “It’s sacrilege, sacrilege, sacrilege, you say!”, fechando a faixa num tom épic, e, ao mesmo tempo, acusador, enquanto a voz de Karen suplica “And I plead and I pray”. Levando em consideração a história um tanto quanto pecaminosa do videoclipe, e sua montagem cronológica de trás para frente, o vídeo termina durante o casamento da protagonista (momento em que a história começa), numa combinação quase paradoxal entre imagem e música, na qual vemos a união matrimonial, considerada sagrada e pura, com os apelos do coral gritando sobre sacrilégio.

Talvez o problema do Mosquito não seja essa sossegada que o Yeah Yeah Yeahs deu em suas inovações, e sim o modo como as músicas estão organizadas no álbum. É um pouco confuso, pois temos “Sacrilege” abrindo o disco com uma promessa de grandiosidade, mas nenhuma faixa que a segue atinge o mesmo ápice. A segunda faixa já é “Subway”, uma transição que exemplifica bem a ideiia de descer de 80 a 8. E o álbum vai até o fim passando de músicas agitadas para músicas melancólicas, quebrando o seu próprio clima a cada transição. O disco tem composições de altíssima qualidade e com excelente potencial de popularização, como costuma ocorrer com os trabalhos de Karen O. Mosquito não foi um erro, foi apenas um pouco desleixado em sua organização, mas não desmerece o YYY, por isso fica aqui esse elogio para a banda, por continuarem nos revelando ótimos trabalhos!

Diana Ragnole

Estagiária em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira

1 – Sacrilege

2 – Subway

3 – Mosquito

terça-feira

4 – Under the earth

5 – Slave

6 – These paths

quarta-feira

7 – Area 52

8 – Buried alive (feat. Dr. Octagon)

9 – Always

quinta-feira

10 – Despair

11 – Wedding song

12 – Subway (NOLA dem)

sexta-feira

13 – Wedding song (acoustic)

14 – Despair (acoustic)

15 – Mosquito (live from YYY’s Bunker Studio)

Revisão: Sheila Castro

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