Morcheeba – Head Up High

Escrito por em 28/10/2013

Depois de 18 anos de carreira e oito álbuns, Morcheeba se tornou sinônimo de qualidade no mundo da música pop internacional.

Em 1995, os irmãos Paul e Ross Godfrey deixam a pequena cidade de Folkstone, na Inglaterra e se mudam para Londres, lá trabalham na coprodução de algumas faixas do ex-líder das “cabeças falantes” David Byrne, para o disco Feelings e, logo em seguida, conhecem aquela que se tornará a vocalista dos Morcheeba a Skye Edwards, dona de uma voz peculiar que se junta às melodias criadas pelos irmãos Godfrey, a  partir disso eles não encontrariam dificuldades para se tornarem umas das formações mais hype da época. O trio passou a ganhar visibilidade nas emissoras e na mídia especializada, surfando na onda trip hop que havia surgido na primeira metade da década de 90, com bandas como Massive Attack e Portishead, embora o estilo deles, a meu ver, tenha pouco afinidade com as batidas lentas e dilatadas, com as sonoridades sombrias e os refrões canábicos, que no início definiam a estética deste estilo.

A música dos Morcheeba sempre foi de fácil acesso, desde o primeiro disco Who Can You Trust? até ao dias de hoje. Testemunhas são os hits que ficaram no topo das paradas de venda do mundo inteiro, quem não se recorda de “Alice Exit” em dueto com David Byrne ou “Rome Wasn’t Built in a Day”? ou a faixa que homenageia a cidade de São Paulo no disco Charango. Assim, ao longo desses 18 anos, a banda conseguiu assimilar inúmeras influências que vão do soul a música eletrônica, do jazz ao Rn’B, do funk ao dub e misturá-las com muita elegância e bom gosto, criando um estilo inconfundível.

Infelizmente, em 2005, Skye Edwards decide deixar a banda para retomar as atividades só em 2010, participando do disco Blood Like Lemonade que vem sendo bem recebido pelo público e pela crítica musical, mas que não tem o apelo definido pela presença da vocalista. Nestes 5 anos de ausência da Skye, os irmãos Godfrey lançaram, além de Blood Like Lemonade, Dive Deep pelo selo Echo Records, mas logo perceberam que a falta da vocalista original fazia a diferença, além de enriquecer às composições com o lindo timbre da sua voz, criava melodias únicas e refrões viciantes.

O dia 14 de outubro foi a data escolhida para o lançamento do último trabalho da banda, que ao final parece ter reencontrado aquela simplicidade aparente dos primeiros anos, mas se ouvirmos com atenção dá para perceber o fino trabalho de arquitetura musical feito em  Head Up High. O disco abre com o single “Gimme Your Love”, quase um clássico em termos melódicos, que vem acompanhado por um belo clipe, dirigido pela jovem cineasta independente Prano Bailey-Bond. Na sequência, “Face of Danger” não esconde o apelo ao dancefloor, com métrica quebrada do rapper Chali2na que faz uma breve, mas essencial participação.

O hip hop mais que o trip hop  foi um dos elementos que sempre estiveram presentes na música do trio, além do carismático e ex Jurrassic 5 Chali2na, outros MC’s aparecem ao longo das 12 faixas que compõem o álbum: Nature Boy em “Release Me Now”, a chilena Ana Tijoux em “Hypnotized”, entre outros. Falando em participações especiais, além dos ilustres MC’s citados acima,, encontramos também a voz quente e vibrante de James Petralli do White Denim na balada soul- blues “Call It Love”, talvez umas das faixas mais intimistas do disco.
Head Up High é mais um sucesso dessa formação, que nas últimas duas décadas conseguiu redefinir os parâmetros do pop contemporâneo.
Paz!

Mauro Lussi
Coordenador de programação musical e DJ da Rádio UFSCar

segunda-feira
Gimme Your Love
Face of Danger
Call It Love
terça-feira
Under the Ice
I’ll Fall Apart
quarta-feira
Make Believer
Release Me Now
quinta-feira
To Be
Hypnotized
sexta-feira
To the Grace
Do You Good
Finally Found You

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