METZ – METZ II

Escrito por em 18/05/2015

Pense um sólido muro de concreto com cacos de vidro em suas rachaduras, manchas de sujeira e sangue por toda parte, mas, ao mesmo tempo, pequenos cristais brilhantes que tornam aquilo, apesar de sinistro, um tanto quanto atraente. Esse muro é na verdade uma parede sonora produzida pelo power trio canadense METZ em seu novo disco METZ II.

Há quem diga que a banda é o novo Nirvana, muito talvez pelo fato de ambos pertencerem ao clássico selo Sub-Pop. Porém, eu vejo o METZ de uma forma completamente diferente. Não há um grupo hoje em dia que carregue consigo o título de atual representante do rock’n roll. O gênero está dividido em diversos micro-universos onde cada qual possui um ou mais representantes de peso. Na minha opinião, o trio METZ se desprende de qualquer rótulo ou status atribuído a eles e o novo álbum deixa isso bem evidente. Não houve nenhuma mudança brusca do primeiro disco pra cá, mas, sim, um refinamento, um aperfeiçoamento da sujeira e brutalidade que é a banda. Afinal de contas, não havia muito o que mudar: o som deles é primitivo, consistente e visceral do jeito que deve ser.

No entanto, METZ foge da mesmice em seu novo disco. Com um pé no noize rock e o outro no punk sujo de garagem a banda desconstrói o garage rock de maneira bruta. A guitarra chega com riffs penetrantes e o peso de distorções de Heavy Metal, que se misturam com o vocal insano de Alex Edkins compondo a melodia perfeita para uma bateria que cospe tijolos. O som é sem frescura, sem “migué” (apesar de ser gravado em um grande estúdio o som não perdeu sua essência). A música que abre o disco, “Acetate” já começa com um riff perturbador e lindo ao mesmo tempo, em vista que o baixo e a guitarra fazem uma dança tenebrosa enquanto a bateria marca o pulso prestes a explodir.

Realmente, uma bela forma de começar um disco.

Na sequência, a ruidoza “The Swimmer” mantendo a pegada noize garage rock. “Spit you out”, terceira faixa do disco e primeiro single lançado é quase um resumo do que é o METZ atual: pesado, obscuro e impetuoso.

A quarta faixa do disco, “Zzyzx”, é uma vinheta suja que serve como prelúdio para a primeira peça punk do disco, “I.O.U”. O disco segue com a explosiva e macabra “Landfill”, destaque total para Alex Edkins que destrói nos vocais. Já a sétima faixa do disco, particularmente minha preferida, “Nervous System” é a música que define o refinamento da banda: tudo nela é pesado, confuso, ela parece ser a união de todas as referências dos músicos, porém, todas na medida certa. Essa canção tocada ao vivo deve ser completamente alucinante.

A oitava faixa do disco segue na clássica pegada da banda, já as duas últimas fecham o álbum com chave de ouro. “Eyes Peeled” é a segunda peça punk, essa é mais nervosa e mais barulhenta que a primeira, destaque pro solo de Edkins. E por fim, a obra- prima “Kicking a Can of Worms”. Não existe melhor forma de terminar um disco do que com a faixa mais soturna, barulhenta e psicodélica da banda. Excelente saideira.

Esse é o METZ II, quase que uma continuidade aperfeiçoada de seu primeiro álbum. Aqui eles não querem provar nada a ninguém. Mas esperam que seus ouvintes estejam prontos para bater de frente com uma sólida parede de puro rock’n roll.

Hugo Safatle

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30, na Rádio UFSCar:

Segunda-Feira:

1.Acetate

Terça-feira:

  1. The Swimmer
  1. Spit You Out

Quarta-Feira:

  1. I.O.U
  1. Landfill

Quinta-feira:

  1. Nervous System
  1. Wait In Line

Sexta-Feira:

  1. Eyes Peeled
  1. Kicking a Can Of Worms

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