Mark Lanegan & Duke Garwood – Black Pudding

Escrito por em 19/08/2013

Há algo de onipresente nos roucos graves proferidos por Mark Lanegan em Black Pudding, não é pra menos. Desde seu trabalho como frontman da banda The Screaming Trees na década de noventa, a voz de Lanegan parece ter protagonizado uma série infindável de projetos de qualidade, dentre eles destaco seu trabalho com o Queens Of The Stone Age, sua parceria com cantoras como PJ Harvey e Isobel Campbell e sua mais recente (e surpreendente) participação no novo disco do Moby. O cantor parece estar em todo lugar.

Fato é que, particularmente, em Black Pudding, talvez por suas composições minimalisticamente lo-fi, exaltadoras de certa fragilidade, o que vemos é um Lanegan despido de qualquer proteção sonora. E sua voz sangra.

Black Pudding é o resultado de uma parceria muito feliz com o multi-instrumentista inglês, Duke Garwood (que trabalhou recentemente com o Savages no último disco do grupo, e também marcou presença no último projeto do próprio Lanegan, Blues Funeral), o disco soa como uma janela para o universo interno do cantor. Sombrio, Black Pudding parece envolto pela mesma densa camada de névoa que a própria presença de Mark Lanegan evoca, e Duke Garwood faz um bom trabalho traduzindo esta essência ao instrumental.

 Mark Lanegan & Duke Garwood

Com títulos como “Pentacostal”, “Death Rides a White Horse” e “Shade Of The Sun” dá pra se ter uma ideia do som. O álbum soa como uma espécie de trilha sonora para um western spaghetti pós-apocalíptico, com uma boa dose de misticismo e sacralidade que o ritmo do blues exige. São 12 faixas que viajam, entorpecidamente, por uma paisagem árida de deserto. A longa “Mescalito” (música que já leva em seu nome a fonte de sua inspiração: o alucinógeno extraído do suco do cactos peyote, típico dos desertos californianos), é melhor faixa do disco, pois sonoriza muito bem esta descrição.

Black Pudding é, enfim, nada menos do que se espera do encontro entre dois músicos talentosos. Um álbum lindo e frágil, que passeia com os dois pés no acústico e alguns dedos no eletrônico (ao contrário do último trabalho de Lanegan, que misturava os dois de forma mais ousada e, às vezes, nem tão bem sucedida), Black Pudding é um belo disco contemplativo.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira
Black Pudding
Pentacostal
War Memorial
terça-feira
Mescalito
Sphinx
quarta-feira
Last Rung
Driver
Death Rides a White Horse
quinta-feira
Thank You
Cold Molly
sexta-feira
Shades of the Sun
Manchester Special

Revisão: Sheila Castro

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