M.I.A. – Matangi

Escrito por em 18/11/2013

M.I.A. não é negra, não é branca, não é uma MC, não é uma cantora de Rn’B e também não é a estrelinha pop do momento. A música dela não é a Patchanka rebelde do Manu Chao e não é o Combat Rock dos Rage Against the Machine, também não é uma cientista maluca criadora de sons eletrônicos cada vez mais radicais e assustadores, nem uma produtora de efêmeros hits de discoteca.

M.I.A. é nativa  de Londres, mas as suas origens precisam ser procuradas no Sri Lanka, terra dos pais dela e onde passou uma parte da infância, uma ilha situada ao sul da Índia conhecida principalmente pela produção de chá, mas também, há algumas décadas atrás, houve um  conflito étnico religioso na região no qual o pai da cantora teve uma participação ativa na organização ligada à minoria Tamil. Sem dúvida, se queremos entender a música dela, precisamos dessas e mais outras informações, além de fazermos um análise do período histórico que estamos vivendo em que temos de um lado um mercado globalizado, selvagem e fora de controle e do outro a possibilidade de se conectar com culturas ocultas ao nossos olhos até pouco tempo atrás. A música de M.I.A. é o resultados dessa conjuntura de fatores.

Desde 2005 ela lançou 4 álbuns, o último foi Matangi, que além de ser o seu primeiro nome é também o nome da deusa tântrica da música, do conhecimento e das artes. Três anos depois o lançamento do polêmico // / Y /, no qual, com muita coragem, a cantora desafiava o seu público mais fiel, os críticos musicais e, principalmente, o mercado fonográfico, propondo um trabalho áspero e barulhento, que bem pouco deixava ver daquela artista que sempre flertou com o pop, porém sem deixar aquele apelo rebelde e critico às políticas imperialistas e à supremacia econômica ditada pelos bancos e corporações, que mantêm seus lucros às custas de quem vive naqueles países erroneamente denominados de terceiro mundo.

Em Matangi encontramos uma M.I.A. mais acessível, como na pérola pop “Come Walk With Me” ou nos  graves pesados enfatizados em “Y.A.L.A”, para a felicidade dos clubbers mais alternativos. A faixa mais FM do disco Exodus com a colaboração da banda The Weekend ganha uma versão intitulada “Sexedous” no encerramento do disco. Na faixa título encontramos uma M.I.A. mais convencional, aquela que se tornou uma das principais referências do cenário Global Beat, misturando sons produzidos nas periferias do sul do mundo, colocando em evidência aquela porção esquecida do planeta a qual agora as maiorias das produções musicais ocidentais, perdidas num vazio criativo, buscam inspiração.

A música de M.I.A. se espalha como um vírus no estéril panorama da música pop, deixando um rastro multicolorido, sem se importar com o mercado e, ao mesmo tempo, vendendo a sua arte combinada à sua estética revolucionária para um mundo que vivencia a sociedade do espetáculo profetizada pelo filósofo francês Guy Debord.

Paz!

Mauro Lussi
Coordenador de programação musical e DJ na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar.
segunda-feira
1. Karmageddon
2. Matangi
3. Only 1 U
terça-feira
4. Warriors
5. Come Walk With Me
6. aTENTion
quarta-feira
7. Exodus (Feat. The Weeknd)
8. Bad Girls
9. Boom Skit
quinta-feira
10. Double Bubble Trouble
11. Y.A.L.A.
12. Bring the Noize
sexta-feira
13. Lights
14. Know It Ain’t Right
15. Sexodus (Feat. The Weekend)

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