Le sins – Michael

Escrito por em 10/11/2014

Mais ou menos em 2010, a música eletrônica viu surgir um subgênero baseado nos efeitos sonoros, sintetizadores, loops, samples e vocais fortemente filtrados com linhas melódicas simples, que o crítico e blogueiro Carles, do site Hipster Runoff, chamou de chillwave. O ritmo ganhou bastante força entre os lançamentos sazonais de verão, e eventualmente evoluiu para manifestações mais pop. Dentre os nomes de destaque do gênero, um de seus precursores, está Chazwick Bradley Bundick, mais conhecido pelo seu projeto chamado Toro Y Moi, na ativa desde 2009, quando ele ainda trabalhava no esquema “meu quarto, meu estúdio”. Bundick foi responsável por consolidar o chillwave, e em seu último disco, de 2013, inclusive tomou uma virada para o eletropop. Paralelamente, ele trabalhava também no projeto Les Sins, que acaba de lançar o disco de estreia, chamado Michael.

Michael foi produzido na mesma época do lançamento de Anything In Return, o mais recente disco do Toro Y Moi. Mas enquanto Anything trazia a pegada mais pop que Bundick já fez, Michael vai por outro caminho, flertando com o R&B, o hip hop, o funk e o dubstep.  Além disso, dá a entender que o Les Sins é um trabalho mais livre das amarras estéticas e mercadológicas, com menos preocupação em fazer sucesso, e mais focado em fazer música e experimentar.  O primeiro sinal disso é a própria capa de Michael, intencionalmente tosca, como se ironizasse os discos superproduzidos do mundo pop.
O disco tem uma atmosfera noventista ao se apoderar bastante do R&B que se consolidou na época, e também incorpora muitos elementos da house music, principalmente nas faixas “Minato” e “Call”. Mais noventismo aparece com a presença do trip hop na sensual “Bellow”, e o hip hop fica por conta de “Talk”. Destaque para a robótica “Bother,” com seu hipnótico sample que repete “don’t bother me, I’m working”; e Sticky, um funk eletrônico, que mesmo minimalista, é cheio de groove.

Michael é uma pequena coletânea de sons que influenciaram a carreira de Bundick e seu mergulho na música eletrônica. Tão fácil de ouvir e de gostar quanto Toro Y Moi, e talvez até mais interessante para quem procura se aproximar da experiência do músico como ouvinte e apreciador de bons sons. A parte da resenha que lembra que “ele é um músico muito talentoso e criativo, todos os seus trabalhos devem ser escutados pois vale a pena” é denecessária. Tudo isso já está bem explícito.

Diana Ragnole, estagiária em programação musical.
A seguir, a lista de músicas que vão ao ar de segunda à sexta, às 16h:

segunda-feira
Talk About
Past
terça-feira
Toy
Why feat. Nate Salman
quarta-feira
Bother
Minato
quinta-feira
Bellow
Sticky
sexta-feira
Call
Drop
Do Right

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