LA HELL GANG – THRU ME AGAIN

Escrito por em 01/09/2014

Já não é mais novidade para ninguém que, durante os últimos anos, uma nova onda de psicodelia vem contagiando o cenário musical mundial, influenciando os beats do hip hop de Chance The Rapper e Odd Future, os cenários eletrônicos de grupos como o Animal Collective, e, obviamente, o cenário rock n’ roll como um todo, com a emergência de grupos como Flaming Lips, Tame Impala, Foxygen e GUM (para citar poucos nomes), grupos que não fazem cerimônia ao beber da fonte dos grandes mestres da lisergia setentista, reconfigurando seu estilo e estética para o novo século. Temos até um grande representante brasileiro nessa cena, o Boogarins, que vem carregando a bandeira do País pelos grandes festivais do gênero.

Outro estilo que tem experimentado um grande surto de interesse repentino, sobretudo nos países latino-americanos, é o stoner rock, aquela vertente mais suja e pesada do rock noventista californiano, que não chegou a ter tanta exposição na época quanto seu irmão de Seatle, o grunge, mas que sobreviveu no underground até agora. Goiânia é mesmo o centro brasileiro deste gênero: a mesma cidade que abriga os já mencionados Boogarins, é lar também de uma das cenas mais fortes de rock n’ roll do Brasil, e a grande maioria de suas bandas (dentre elas Hellbenders e Black Drawing Chalks, grupos que, assim como a Boogarins, têm exportado seu som para fora do país) tem como referência principal grupos como Kyuss, Sleep e Fu Manchu, grandes nomes da cena stoner noventista californiana.

 Digo isso para apontar a conexão entre estes dois estilos distintos. O stoner rock de raíz, aquele praticado nos áridos desertos americanos, tinha muito da psicodelia aplicada ao peso do heavy metal, mas parece que esse elemento se perdeu na tradução do gênero aos seus adeptos da América do Sul. E é surpreendente que, por mais que as duas cenas andem lado a lado, em Goiânia, por exemplo, essa veia psicodélica ainda não tenha sido resgatada ao stoner por lá – esse trabalho, pelo visto, ficou por conta dos chilenos da La Hell Gang, em seu novo álbum, Thru Me Again.

Reavivando as raízes que colocaram o stoner no rock, o segundo disco do power trio de Santiago apela para duas potentes vertentes do rock atual, e talvez por isso tenha rendido ao grupo tanta exposição repentina. O tratamento espacial de “Inside My Fall”, música que abre o disco com uma pulsante cozinha rítmica, nos transportam diretamente para a cena árida de 20 anos atrás. As guitarras distorcidas entram não para adicionar peso e, sim, clima, e os vocais suaves reverberados, remetem à melodia de grupos mais indies como Black Rebel Motorcycle Club e Black Angels, completam a receita hipnótica que vai predominar pelo álbum todo.

Transitando bem entre o pesado e o sutil, sempre com um suingue um tanto quanto arrastado, Thru Me Again é uma verdadeira viagem por timbres que, até então, passaram longe do mainstream. Os chilenos surpreendem com um trabalho muito coeso, que, entre faixas sexys de 3 minutos e jams descomunais de 8, mantém a qualidade sempre no alto, sem cansar. Um disco que se alinha plenamente com os novos movimentos que contagiam seu gênero, numa pegada que os chilenos redescobriram e foram rápidos em tornar sua especialidade. Vale ouvir!

 Henrique Gentil, bolsista de Programação Musical

 A seguir, a lista de músicas que você confere de segunda a sexta, às 16h00, na Rádio UFSCar.

 Segunda-feira

1. Inside My Fall

2. Her Way Has Come

Terça-feira

3. Sweet Dear

Quarta-feira

4. The Beginning Remains The End

Quinta-feira

5. Everywhere I Go

6. Last Hit

Sexta-feira

7. What You Want You Got It

8. So High


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