José González – Vestiges & Claws

Escrito por em 23/02/2015

Oito anos após seu último lançamento solo, In Our Nature, José González volta a protagonizar, sozinho, mais um lançamento em sua carreira. Claro, desde 2007 o músico sueco de descendência argentina teve outros projetos, como por exemplo, a banda Junip, que conseguiu dar propulsão a seu nome para seu ponto mais alto até agora, com a trilha sonora para o filme “A Vida Secreta de Walter Mitty”. O fim do hiato de sua carreira solo marca, assim, mais a conclusão de um ciclo de crescimento e amadurecimento, que um “retorno” às suas raízes – isso pelo simples fato de que José nunca se distanciou delas.

Seja em In Our Nature, Veneer, ou com a própria Junip, José González sempre carregou consigo uma identidade bastante característica; sólida. Se você tem alguma familiaridade com o trabalho do músico, já sabe o que esperar de Vestiges & Claws. Vocais sussurrados, acabamento lo-fi, arranjos minimalistas tocantes, lirismo etéreo e refinado, tudo redigido por uma voz e violão expressivos, que marcam tanto melódica como percussivamente o andamento lento de suas canções. E quer saber? É muito bom ver González seguindo essa linha há muito deixada de lado por seus companheiros do indie folk, gênero que vem, de pouco em pouco, tornando-se cada vez mais “grandioso”, e, ironicamente, menos tocante.

Talvez a maior mudança que percebemos em Vestiges & Claws, comparado aos outros discos da carreira solo do cantor, é a de postura. Visão de mundo. Equidistante ao universo romântico que o músico vivia em Veneer e ao observador empírico que encarnou em In Our Nature, José González assume uma postura moderada, até sábia, quanto ao mundo e àquilo que constrói nossa identidade. Seus versos fazem perguntas gigantes, mas nos atingem com a leveza de uma pluma. A peça central de Vestiges & Claws é o tempo, partindo de uma realização, por parte do músico, de que é essa instância, e como lidamos, cada um a sua própria maneira com ela, que ultimamente nos define. Afinal, como bem observa em “What Will”, as “garras e vestígios” do título são o que nos restam após uma vida batalhando pelo que acreditamos.

Vestiges & Claws traz indagações muito necessárias em meio a uma modernidade tão afundada na auto-indulgência. Em meio a tantos novos artistas aparecendo por aí, exaltando o “ter”, vendendo uma ideia de “ser”que nos passa a confortável sensação de controle, González, em meio a arranjos tão delicados quanto sua voz, tem a coragem de remar contra a corrente e nos perguntar se somos, realmente, donos de nossos próprios destinos, ou se a vida não é mero estado transitório, feita para ser vivida, e não planejada.

Afinal de contas, após 12 anos de uma prolífica carreira se perguntando sobre as mesmas questões, sempre procurando uma abordagem diferente, José González parece bem seguro de suas respostas, e nos inspira, mesmo que ao menos por um momento, a nos indagarmos sobre o mesmo.

Henrique Gentil

Estagiário em Aúdio da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 16h00, na Rádio UFSCar

Segunda-feira

  1. With The Ink Of A Ghost
  2. Let It Carry You

Terça-feira

  1. Stories We Build, Stories We Tell
  2. The Forest

Quarta-feira

  1. Leaf Off / The Cave
  2. Every Age

Quinta-feira

  1. What Will
  2. Vissel

Sexta-feira

  1. Afterglow

10. Open Book

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