Jim James – Regions of light and sound of god

Escrito por em 08/04/2013

Quando eu ouvi pela primeira vez o single “Know Til Now”, sinceramente, ainda não conhecia My Morning Jacket. Fui pela hype em torno do lançamento e não me decepcionei. Os sintetizadores etéreos, a batida dançante e os vocais reflexivos realmente me agradaram, e foram suficientes para que eu passasse a aguardar, ansiosamente, o lançamento do debut solo de Jim James.

 Místico desde o nome, Regions of light and sound of god não tem muito em comum com a banda de seu autor. Em vez do folk rock cravado nas referências a Neil Young, Jim James prefere trabalhar mais com o jazz, o soul e o funk. Chame de retrô, se quiser, mas James não apenas emula essa sonoridade mais antiga, como também adiciona algo à mesa.

 O disco não tem pressa em desabrochar: a faixa de abertura, “State of The Art”, começa suave, com um fraseado de piano remetente ao Aladin Sane de Bowie, e continua assim até chegar em sua metade, quando a banda decide acompanhar James no refrão. Dali pra frente, a música segue construindo o momento, numa estranha e dançante tensão que é liberada para dar início à já referida “Know Til Now”.

 Embora seja clara a sonoridade instrumental durante o primeiro terço do álbum (com “Dear One” sendo a música mais potente desta primeira parte), lá pela metade do disco os vocais de James passam a se destacar. Na sublime “A New life”, que começa minimalista com violão e voz, é a harmonia retrô de canção romântica dos anos 20 que se sobressai. Jim James sabe que é brega quando canta “I think I’m really being sincere / I want a new life with you”, e inclusive não consegue segurar o riso em determinado ponto da música. Mas não importa, o brega realmente funciona aqui, cativando qualquer ouvinte, independente da idade.

Jim faz um bom trabalho conectando as músicas com pequenos interlúdios. “Exploding”, por exemplo, é uma curta faixa instrumental que até remete às origens folk do My Morning Jacket, e poderia parecer fora de lugar se não fosse tão necessária para a conexão entre “A new life” e “Of the mother again”. O disco não perde sua fluidez em momento algum e passa como uma brisa.

 Podemos, inclusive, considerar Regions of light and sound of god como um álbum conceitual. Todas as músicas estão conectadas, mesmo que de forma vaga, à uma espécie de visão contemplativa da vida. Temos momentos de total inocência e otimismo, como em “A new life”, de desilusão (“Actress”), de desespero e de penitência (“All is forgiven”), e, finalmente, um encerramento de reafirmação da fé com “God’s love to deliver”. A espiritualidade, inclusive, é recorrente durante o álbum inteiro.

Talvez seja por isso que todas as músicas do trabalho parecem intimamente conectadas, mesmo que nem todas sejam ligadas, de fato, por pontes sonoras. Altamente atmosféricas, a impressão que se tem ao ouvir o disco é a de que a relaxante voz de Jim James está nos guiando numa viagem astral pelo mundo dos sonhos. Cabe apenas ao ouvinte entregar-se ao mantra e pular de cabeça nas lindas paisagens que cada faixa cria.

Henrique Gentil

Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira
State of the art (A.E.I.O.U.)
terça-feira
Know til now
Dear one
quarta-feira
A New life
Exploding
quinta-feira
Of the mother again
Actress
sexta-feira
All is forgiven
God’s love to deliver

Revisão: Sheila Castro

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