James Blake – The Colour In Anything

Escrito por em 23/05/2016

Pra dizer que James Blake é o queridinho da música pop nos últimos anos não precisa de muito. Com apenas 27 anos de idade e uma discografia que conquista respeito até de figuras mais quadradonas da música, é com a melancolia inerente à sua voz e com um bom domínio de produção musical que o trabalho do cantor londrino sobra, quando comparado com outros grandes nomes do gênero como o de Sam Smith. Em especial, porque consegue ser vanguarda e transgressor como poucos, sem deixar de ser acessível e copiado como muitos.

James Blake já havia sido apontado como favorito e referência por figuras como Kanye West e Beyoncé, quando provou que sua música entregava muito mais do que o rótulo “dubstep” sugeria. Com The Colour in Anything, seu mais recente trabalho, o músico e produtor retoma a boa forma aumentando ainda mais seu leque de atuação, ao transitar com segurança por gêneros como o neo soul, o folk, o hip hop e a própria música pop. Com o auxílio de ninguém menos que Rick Rubin (Adele, Black Sabbath, ZZ Top) na produção do disco, o álbum ainda conta com a participação de Justin Vernon da Bon Iver na ótima “I Need A Forest Fire” (com direito a Justin Vernon mais “empolgado” do que o usual), que apresenta temas relacionados à forma como o artista lidou com o término do relacionamento de longa data com Theresa Wayman, guitarrista e vocalista da norte-americana Warpaint.

james blake

Algo que já pode ter ficado bem claro desde seu álbum de estreia é que, mesmo com o rigor técnico vocal apresentado pelo cantor, na realidade estamos diante de um artista que aparenta trabalhar muito mais próximo do escopo de um produtor do que de um vocalista frontman. Há quem diga que o novo trabalho até falha em sua pouca coesão e diálogo entre as 17 faixas, o que parcialmente não deixa de ser verdade. Mas veja bem, se realmente temos músicas terríveis como “Points” e “I Hope My Life”, por outro lado estamos diante de alguns dos melhores momentos de James Blake, como nos singles “Timeless” e “Modern Soul”. E as faixas mais interessantes do disco não param por aí, “Put That Away And Talk To Me” é um trip hop ousado, que serve muito bem pra mostrar de onde vem grande parte das inspirações musicais de artistas que hoje dominam a lista de mais tocados da revista Billboard. Por fim, “Choose Me” faz jus ao lance do neo soul, com boas pitadas da música gospel e com a mesma pegada minimalista que Blake carrega consigo desde seu álbum de estreia.

Se por um lado não dá pra dizer que o novo trabalho tem diferenças tão relevantes dos anteriores e aclamados James Blake (2011) e Overgrow (2013), por outro, ao menos podemos perceber que Blake está cada vez mais disposto a ampliar o seu leque de atuação sem perder o toque mágico que o diferencia de outros do mesmo gênero. Se o trabalho do produtor não lhe pareceu intragável até o momento, como o é para muitos que acompanham o desenvolvimento da música contemporânea do século XXI, é bem provável que The Colour In Anything seja uma ótima opção pra você escutar sozinho ou, melhor ainda, pra ouvir a dois. Mesmo sem ser brilhante, James Blake mantém a postura e entrega mais um dos bons discos deste primeiro semestre de 2016.

Raul Ribeiro, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Radio Silence

2 – Points

3 – Love Me In Whatever Way

Terça-feira

4 – Timeless

5 – f.o.r.e.v.e.r.

6 – Put That Away And Talk To Me

7 – I Hope My Life

Quarta-feira

8 – Waves Know Shores

9 – My Willing Heart

10 – Choose Me

Quinta-feira

11 – I Need A Forest Fire (feat. Bon Iver)

12 – Noise Above Our Heads

13 – The Colour In Anything

Sexta-feira

14 – Two Men Down

15 – Modern Soul

16 – Always

17 – Meet You In The Maze

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