James Blake – Overgrown

Escrito por em 29/04/2013

Quem amou o debuto do jovem alquimista inglês, James Blake, não ficará desiludido com o segundo capítulo deste representante genial da nova geração de artistas. Redesenhando aquela cena pop eletrônica que nunca se tornará mainstream deste lado do oceano, mas na qual, com certeza, muitos encontrarão aquela faisca criativa que, como uma virose pandêmica, mudará o jeito de fazer música de uma geração inteira.

Encontramos na aparente simplicidade de Overgrown aquele sound no qual paixão e sentimento se misturam com os sons sintéticos graves e pesados da vanguarda underground. As melodias de um soul em busca de novas inspirações que saem do efêmero circuito comercial e não recaem nas fáceis releituras de um gênero que sobreviveu às sequências de várias modas.

Sem cair no clichê de quem diz que em Overgrow encontrou um James Blake mais amadurecido, mais experimental, posso afirmar que faz parte da natureza do artista evoluir, mudar e crescer e que, sem dúvida, ele se encontra naquele momento comum a muito músicos, no qual novos caminhos se iluminam e outras trilhas aparecem.

O disco chega com muitas ideais novas, os conceitos se enriquecem com a participação de Björk e Bon Iver, mas James sabe muito bem aonde quer chegar. Ele, uma personalidade tão forte que se permite convidar a eterna lenda Brian Eno para a co-produção da desorientante “Digital Lion”, talvez, o episódio mais extremo do disco, mas que serve para quebrar aquela atmosfera etérea que domina o álbum, no entanto, sem imitar a feliz fórmula do primeirio trabalho.

Na sequência, no segundo single extraído do álbum Voyer, voltamos a encontar aquelas melodias que são a marca registrada de James, embora os beats se tornem mais presentes, com a potencialidade para lotar as pistas mais exigentes.

O estilo e o carisma daquele que pode ser considerado o “leader” dos Wu-Thang Clan, ou seja, RZA, não poderia ter encontrado um parceiro melhor (ou o inverso) para declamar com uma voz rouca, sóbria e séria “Take a fall for me¨, quase uma reza que faz de contraponto um sampler gospel desesperado e os coros em falseto de Blake são quebrados por uma batida áspera.

Para finalizar não podemos deixar de destacar o single que antecipou o disco: “Retrograde”, um blues sintético que grudará nos ouvidos mais finos assim como foi para “The wilhelm scream¨” ou a brilhante releitura de “The limit to your love”.

Aliás, tem que ouvir prestando atenção!
Recomendado para paladares finos!

Paz!

Mauro Lussi
Coordenador de programação musical e DJ da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. Overgrown
2. I am sold
terça-feira
3. Life round here
4. Take a fall for me
quarta-feira
5. Retrograde
6. Dlm
quinta-feira
7. Digital lion
8. Voyeur
sexta-feira
9. To the last
10. Our love comes back

Revisão: Sheila Castro

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