James Blake – James Blake

Escrito por em 14/02/2011

James-Blake-Album-Cover-300x300Dos clubes mais alternativos de Londres, situados nos porões da cinzenta metrópole, onde obscuros DJs experimentam e criam as graves pulsações Dubstep de vanguarda, ao longo de 2010, um deles se destacou entre os outros, gravando 3 EPs: “The Bells Sketch”, “CMYK” e “Klavierwerke”.
Com esses 3 trabalhos, o jovem James Blake, com só 21 anos de idade e um passado acadêmico composto por lições de pianoforte e uma láurea na faculdade de música popular, em pouco tempo se revelou uma das figuras emergentes da cena musical contemporânea. Música com M maiúsculo, que olha para o futuro e abre novos caminhos do mesmo jeito que foram e são os trabalhos de artistas como Bjork e Radiohead.
No final de janeiro deste 2011, Blake debuta com um CD o qual tem seu próprio nome como título e que nos revela todas as qualidades do experto compositor e também dono de uma voz peculiar capaz de fazer vibrar os nossos tímpanos naquela frequência que desperta empatia sonora e mexe com os nossos sentimentos, como poucos sabem fazer.
Com o disco de estreia, James Blake conseguiu combinar os radicalismos eletrônicos criados por DJs que viajam naquelas galáxias compostas de gases lisérgicos, com sonoridades que, com cautela, poderíamos definir de Pop. O timing perfeito entre pausas silenciosas e vibrações eletrônicas é a uma das fórmulas inventadas por James que brinca com o silêncio do mesmo jeito como faz com os poucos e elegantes acordes de pianoforte que nos deixam sempre na expectativa do momento sucessivo, poucos segundos nos quais estrelas podem implodir deixando um espaço vazio e novos planetas podem surgir como num espetáculo de fogos de artifício em câmera lenta.
Um disco denso de referimentos que mudam em qualquer instante, a voz de Antony Hegarty se mistura com as ideias geniais de Thom Yorke dos tempos de “Amnesiac”, na música “I Never Learnt To Share”; o Dubstep minimalista e sombrio dos Burial se funde com o blues androide de “Unluck”. E aparecem até referências à Folktronica, como nas faixas Lindisfarne I e II, sem nunca perder uma elegante e única coerência estilística.
Poderia fazer um elenco de citações e referimentos que emergem em cada instante e em cada música, mas seria como tentar entender o desordenado e constante movimento do mar, muito melhor é deixar que as ondas nos levem docemente, enquanto estamos olhando as nuvens mover-se silenciosamente criando novos desenhos no céu.

“Clouds part
Just to give us a little sun

There’s a limit to your love
Like a waterfall in slow motion
Like a map with no ocean
There’s a limit to your love”

Paz!
Mauro Lussi
Programador musical e DJ da
Rádio UFSCar

A seguir, a lista das músicas que você ouve de segunda a sexta-feira, às 16h00, na Rádio UFSCar:

Segunda-feira
1.Unluck
2.The wilhelm scream

Terça-feira
3.I never learnt to share
4.Lindisfarne I

Quarta-feira
5.Lindisfarne II
6.Limit to your love

Quinta-feira
7.Give me my month
8.To care (Like you)
9.Why don’t you call me

Sexta-feira
10.I mind
11.Measurements

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