Jack White – Lazaretto

Escrito por em 09/06/2014

Jack White dispensa apresentações. Um dos músicos mais prolíficos de sua geração, seu nome se mantém em destaque há quase 15 anos, seja liderando excelentes projetos musicais como o White Stripes, Raconteurs ou o Dead Weather, como encabeçando uma das mais interessantes gravadoras da atualidade: a Third Man Records. Há muito que White deixou de ser meramente um artista para virar uma espécie de marca, ao ponto que chega a ser difícil reconhecer o que é arte e o que é marketing em seu trabalho. Ainda assim, sua relevância como artista é inegável, e eis que, 2 anos após o lançamento de sua estreia solo, chega o sucessor do excelente Blunderbuss.

Lazaretto, como tudo relacionado a Jack White, foi um dos discos mais antecipados do ano – sobretudo pelos fiéis seguidores do frontman -, e certamente não deixa a desejar. Um apanhado de todas as facetas musicais de sua persona, o disco vem com qualidade de produção cristalina, recheado das calculadas excentricidades do guitarrista – e consegue até soprar novos ares às suas antigas fórmulas. Faixas como “Lazaretto”, “Would You Fight For My Love”, e “That Black Bat Licorice” são sintéticas quanto ao tom geral do álbum. As três misturam, com diferentes graus de sucesso, uma variedade descomunal de influências (algumas manjadas, outras nem tanto, como o western spaghetti de “Would You Fight For My Love”, o solo de violino e a base funkeada de “Lazaretto” e os flertes com o hip hop de “That Black Bat Licorice”), todas embaladas pela forte característica do músico, e são alguns dos resultados mais interessantes do disco. Mas até mesmo quando White joga seguro ele acerta em cheio, como na excelente balada folk de “Temporary Ground”.

 Ainda assim, Lazaretto tem suas falhas. “Just One Drink” força demais a barra no retrô e termina sem sal. Já “Entitlement” é um grande exemplo de uma das maiores falhas do compositor: suas letras. É difícil de engolir um Jack White cantando sobre como se está “cansado de ser dito o que fazer” – seu vitimismo é, por vezes, irritante, e chega a cortar o barato de algumas músicas que seriam até agradáveis. Essas duas faixas interrompem bruscamente a fluidez do álbum e dificultam seu apreciamento como uma unidade – sobretudo a partir de sua segunda metade.

 Apesar desses pequenos escorregões, Lazaretto ainda se sustenta como uma adição digna a uma já consolidada discografia. Não é um disco que irá conquistar novas audiências, mas esse nunca foi seu objetivo. Pra quem já gostava do trabalho do músico, no entanto, esse disco é um prato cheio. Tem tudo aqui: a crueza, a simplicidade, riffs marcantes e, é claro, o inconfundível som da guitarra de um Jack White que não tem nada a provar a ninguém.

 Henrique Gentil, bolsista de Programação Musical.

 A seguir, a lista de músicas que você confere de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

 Segunda-feira

1. Three Women

2. Lazaretto

Terça-feira

3. Temporary Ground

4. Would You Fight For My Love

Quarta-feira

5. High Ball Stepper

6. Just One Drink

7. Alone In My Home

Quinta-feira

8. Entitlement

9. That Black Bat Licorice

Sexta-feira

10. I Think I Found The Culprit

11. Want And Able

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