Interpol – INTERPOL

Escrito por em 27/12/2010

interpol_2010O Interpol lançou, no começo do mês, seu quarto disco. Desde 2002 na ativa, quando lançou o elogiado debut Turn On The Bright Lights, a banda nova-iorquina tem sido criticada, a cada álbum, por uma suposta perda de criatividade ou por simplesmente lançar discos cada vez mais “fracos” – Antics, em 2004, e Our Love To Admire, em 2007. Talvez por isso, a decisão do grupo em nomear o quarto trabalho de Interpol não surpreenda tanto aos que os escutam sabendo disso. Alguns creem ser uma tentativa de retorno às origens que os projetaram como uma das grandes bandas do início dos anos 2000. Entretanto, talvez o segredo não esteja em um retorno e, sim, em uma banda atingindo sua maturidade musical e assumindo isso de uma vez por todas.

As expectativas para esse disco, após três anos de silêncio, eram altas. Especialmente, após declarações da banda de que o álbum seria baseado em orquestrações, ou de que estava com sonoridade próxima à de Turn On The Bright Lights, e da saída, após as gravações, do baixista e tecladista Carlos Dengler. Nem tanto ao céu nem tanto à terra. É um belo disco do Interpol, simples assim.

Confesso que escrevo esse texto um tanto crua. Não sou a maior conhecedora do Interpol – na verdade, faz anos que não ouço nada deles e o único disco que conheci realmente foi o debut do quarteto. Entretanto, este me parece um trabalho que foi na mesma direção para a qual a banda sempre apontou. Mas, aqui se permitiram aprofundar as tonalidades cinzentas que sempre marcaram as linhas melódicas e os arranjos de suas melhores canções.

A primeira metade do disco é feita de cinco faixas um pouco mais ritmadas, sempre com a voz grave de Paul Banks nos levando de volta às influências pós-punk tão caras à banda, com destaque para Memory Serves e Lights – primeiro single. Always Malaise (The Man I Am) abre a segunda metade do disco – de canções ainda mais sombrias e dramáticas, finalizando com a belíssima e bilíngue The Undoing, épica como tinha de ser – com seu início despretensioso e seu final polifônico e grandioso.

O mais impressionante de Interpol, como o ouço, ingenuamente e de coração escancarado, é como seus milhões de camadas nos tocam no mais profundo estado de torpor. A banda se utiliza de camadas de sintetizadores, programações, guitarras shoegaze e orquestrações, para multiplicar o poder dos riffs de guitarra (ou teclado) e tornar sofisticadas as harmonias quase pops do disco. Na última faixa, já citada, Banks canta: “Chasing my damage/I was chased, thrilled and altered/And it raised me”. Ele cresceu mesmo. Ou se elevou a outro nível. E é isso aqui que vocês vão ter daqui pra frente, melhor se acostumar. De minha parte, é só emoção.

Yasmin Muller
Programadora Musical da Radio UFSCar
@djyasmina

Listas das músicas que você ouve, durante essa semana, às 16h00, na Rádio UFScar:


Segunda-feira:
1 – Success
2 – Memory Serves

Terça-feira:
3 – Summer Well
4 – Lights

Quarta-feira:
5 – Barricade
6 – Always Malaise (The Man I Am)

Quinta-feira:
7 – Safe Without
8 – Try It On

Sexta-feira:
9 – All Of The Ways
10 – The Undoing

Disco da Semana 25 de setembro de 2010

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