How To Dress Well – Total Loss

Escrito por em 15/10/2012

O R&B é um dos poucos estilos musicais que conseguem se inserir em grande parte das camadas socias, senão todas. Dos rádios de pilha das periferias aos ipods das regiões centrais é possível encontrar o gênero reverberando, ao ritmo de canções mais conhecidas pelo público consumidor da dita cultura de massa, ou, no extremo oposto, de músicas que buscam experimentações e tentam sair do lugar-comum. Justamente nessa última categoria é que Tom Krell, o homem por trás do projeto How To Dress Weel, se encontra.

Na cena desde 2010, ano em que causou barulho com seu doloroso debut Love Remains, Tom Krell mostrou ao que veio, lançando um dos discos mais elogiados daquele ano. Agora, em 2012, lança seu segundo LP intitulado Total Loss,  quem esperava que a criatividade e feeling musical do produtor e cantor se esgotasse em 2010, está enganado.

Total Loss, como o próprio título anuncia, é uma perda total em direção ao  íntimo de Krell, um mergulho em seu âmago, mas depois sempre vem um alívio: é como se você se debatesse na água e quase afogasse tendo direito a apenas algumas lufadas de oxigênio. Um tanto quanto otimista, se analisarmos bem, já que o Love Remains é uma queda livre no abismo escuro e o EP, Just Once, de 2011, segue a mesma linha. Tenho a impressão, ouvindo os três trabalhos em ordem cronológica, que os males que aflingem a mente por trás do How To Dress Well estão desaparecendo, como um enfermo que se recupera.

Composto por 11 faixas, o álbum segue uma linha mais pop, tanto pela duração das músicas – o padrão médio de 4 minutos – quanto pela sonoridade em si: ele se apresenta mais acessível e em partes até mesmo comerciável e radiofônico, não que isso seja um ponto ruim. Além do mais, Krell ainda experimenta, como fez no álbum de estreia, só que de forma mais madura e homogênea.

Os vocais abusam dos falsetes, aliás, um ponto altíssimo do trabalho de Tom Krell e, em Total Loss, não seria diferente: sua voz aparece como parte da melodia e não algo posto depois, numa relação simbiótica em que um depende do outro. A faixa “Say my Name or Say Whatever” demonstra bem isso -um dos ápices do disco – é realmente interessante, a voz de uma criança dizendo que a pior parte de voar é ter que voltar para o mundo. Krell carrega o álbum dessa maneira, nos sustenta num voo enquanto as ondas de suas canções tocam.

Outras faixas de destaque são o primeiro single lançado “& it Was You”, que já dava dicas do que esperar do disco e a instrumental “World I Need You, Won’t be Without you (Proem)” que, mesmo sem vocais, não deixa a desejar – eu mesmo, à medida que ouvia o álbum pela primeira vez, demorei a me dar conta que a voz de Krell não estava lá.

Fechando o disco vem a faixa mais ousada “Ocean Floor For Everything”, que finaliza o trabalho de Krell de maneira magistral, nessa perda total de sentimentos dolorosos e difícieis.

Diego Paulino,
Estagiário de Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. When I Was In Trouble
2. Cold Nites
terça-feira
3. Say My Name Or Say Whatever
4. Running Back
quarta-feira
5. & It Was U
6. World I Need You, Won’t Be Without You (Proem)
quinta-feira
7. Struggle
8. How Many
sexta-feira
9. Talking To You
10. Set It Right
11. Ocean Floor For Everything

Revisão: Sheila Castro

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