Green Day – ¡UNO!

Escrito por em 24/09/2012

Época em que a tendência das bandas se configura pela diminuição de faixas por álbum (cada vez é mais difícil encontrar um disco com 14, 15 faixas, como antigamente) fez o Green Day nos surpreender com a notícia de que não lançaria apenas um álbum para suceder o 21th Century Breakdown, mas sim uma trilogia: ¡Uno! !Dos! ¡Trés!, eles prometeram que os três discos sairiam entre setembro de 2012  e janeiro de 2013.

É interessante saber que o a banda não é a primeira a apostar num projeto tão ambicioso,  o próprio Billie Joe Armstrong,  guitarrista e vocalista da banda, afirmou ter se inspirado um pouco na sequência de álbuns do Van Halen: Van Halen I, Van Halen II e Van Halen III. Armstrong também disse que o álbum veio de forma muito natural e quando se deu conta já tinha grande parte das músicas para compor a trilogia.

¡Uno!, primeiro volume e objeto dessa resenha, vem um tanto quanto surpreendente, seja pelas letras, seja pelas melodias. O álbum é composto por 12 faixas e tem uma pegada mais pop, entretanto se estabelece como um grande paradoxo, pois consegue ser pop, mas ainda assim manter a essência punk rock que caracterizou o Green Day em sua longa estrada.

“Oh Love”, primeiro single lançado, lembra muito a vibe de 21th Century Breakdown, seja por sua letra ou pela forma como a banda conduz a canção. É estranho que o primeiro single do álbum seja a última faixa na tracklist, levanto a especulação de que talvez a faixa seja uma espécie de gancho para o próximo disco.“Nuclear Family” abre o álbum de maneira magistral e promete ser uma das preferidas dos fãs, que veem ali o bom e velho Green Day, sem experimentar muito, permanecendo em sua fórmula acertiva e a música…ah, a música é energética! levanta qualquer um e o faz pular.

“Carpe Diem”, terceira faixa, inicia o ponto alto do disco: a sequência das faixas 4 e 5,“Let Yourself go” e “Kill The Dj”. A primeira promete se tornar um hino para a juventude punk: conta com vocais poderosos, bateria frenética, letra chiclete e expressa, em poucos versos, a raiva contida e partilhada por muitos fãs: “Shut your mouth ‘cause you’re talking too much/ And I don’t give a fuck anyway!/ Let yourself go!/Let yourself go!/ Let Yourself go!” (Cale sua boca porque você tá falando muito/ E eu não me importo, de qualquer maneira!/ Deixe-se levar!/ Deixe-se levar/ Deixe-se levar!), com uma pegada dançante e aparentando ser feita para a pista, “Kill The DJ” é a maior tentativa do Green Day de fazer algo mais pop, bebendo um pouco da fonte do power pop, com uma letra irônica a faixa é a maior surpresa do disco.

  ¡Uno!, parece marcar o fim da Opera Rock que o Green Day vinha fazendo desde o lançamento do excelente, e talvez insuperável, American Idiot (2004) e  do bom 21th Century Breakdown (2009). No mais, é um bom álbum, mas que aparenta precisar dos seus sucessores para alcançar sua grandiosidade: por hora, é apenas a primeira parte de um todo que promete.

Diego Paulino
Estagiário de Programação Musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Nuclear Family
2. Stay The Night
terça-feira
3. Carpe Diem
4. Let Yourself Go
5. Kill The DJ
quarta-feira
6. Fell For You
7. Loss Of Control
quinta-feira
8. Troublemaker
9. Angel Blue
sexta-feira
10. Sweet 16
11. Rusty James
12. Oh Love

Revisão: Sheila Castro

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