Fartbarf – Dirty Power

Escrito por em 28/04/2014

Imagine-se na seguinte situação: você está ali, num barzinho lado B de algum lugar dos Estados Unidos, o bar não chega nem a estar lotado e a galera que frequenta é meio estranha. No palco, dois controladores analógicos gigantes dividem o minúsculo espaço com uma bateria acústica. De repente, a música de fundo para e três caras estranhos vestidos com máscaras assustadoras de neandertais sobem ao palco. O nome do grupo é uma aglutinação de duas palavras chulas e você provavelmente deduz: “deve ser zoeira”. Mas antes desse pensamento se firmar na sua cabeça, esses três homens das cavernas quebram a sua cara e dão um dos mais impressionantes shows da sua vida. Parabéns, você acabou de se imaginar num show do Fartbarf.

Mas não se engane, essa experiência catártica que você acabou de presenciar foi premeditada. Consta no “livrinho de regras” (sério, eles tem isso, é só procurar no site) desse trio de neandertais tombar qualquer expectativa de audiência, mas sempre entregar um som da mais alta qualidade. Lá também consta que na frenética eletrônica da banda não pode rolar nada de digital, e o grande trunfo é transformar essa aparente limitação numa das coisas mais divertidas sobre o grupo. Uma merecida porrada na produção atual de EDM que infecta as paradas pop mundiais encabeçada por nomes entediantes como David Ghetta e Avicii. O Fartbarf chega com um som característico que aproveita todo o caráter de improviso da eletrônica analógica pra criar músicas extremamente orgânicas, e, ao mesmo tempo, futuristas (mas aquele futurista meio retrô, sabe?). São verdadeiros paredões sonoros de batidas sincopadas, programações ao vivo emodulações vocais que misturam elementos da própria EDM com coisas da glitch e dance music e elementos do punk e do rock, tudo embalado num pacote bem peculiar, porém coeso e extremamente divertido.

fart

Dá até pra traçar um paralelo entre Dirty Power, estreia do Fartbarf nas pistas de dança, com Random Access Memories, último lançamento do Daft Punk. São dois discos que atacam a mesma coisa: a música eletrônica mainstream; mas enquanto a dupla francesa parece tímida em sua crítica, se distanciando de forma segura do estilo e apelando para a memória sentimental, Dirty Power é uma verdadeira pedrada nas janelas da EDM. Um disco visceral como foi Homework para sua época (estreia dos próprios franceses em questão), é um lembrete incômodo de que a música eletrônica pode (e deve) ter atitude, ser visceral. E o fato dos caras fazerem isso com sintetizadores 8-bit numa banda que parece ter sido nomeada por uma criança de 9 anos só torna as coisas ainda mais significativas.

Parece até piada dizer que um dos grupos mais interessantes da música eletrônica atual seja composto por uns caras que eram da cena do metal e que, não bastasse se apresentarem com máscaras de homens de neandertal e equipamentos totalmente analógicos, também copiaram na cara dura o logo do Black Sabbath para o título de seu primeiro EP, e ainda lançaram seu disco de estreia no dia primeiro de abril. Mas também, o que esperar de uma banda chamada Fartbarf?, uma aglutinação das palavras equivalentes a “peido” e “gorfo” no inglês. Nada. E é assim que eles te pegam de surpresa.

Henrique Gentil

Bolsista em Programação musical.

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45 na Rádio UFSCar.

Segunda-feira

1. Homeless In Heathrow

2. Panopticon

Terça-feira

3. Your Sky Is Falling

4. Mission At Hand

Quarta-feira

5. Play The Game

6. All Systems Go!

Quinta-feira

7. Service Merchandiser

8. Hero Of Time

Sexta-feira

9. Warp Whistle

10. Electric Groove

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