Explosions In The Sky – The Wilderness

Escrito por em 18/04/2016

Escrever alguns parágrafos sobre uma banda instrumental pode parecer uma tarefa bem prática para alguns, principalmente para aqueles que se ligam muito mais nas informações cronológicas do que propriamente no sentimento evocado pelos instrumentos. Em se tratando de tudo aquilo que a atenção exclusiva às notas musicais podem te induzir, o tiro pode acabar saindo pela culatra se você for um desses maníacos por música que gostam de falar bastante. As divagações não costumam parar cedo e a ausência de letra chega a ser um apelo forte à imaginação, trazendo as impressões pra um lado bem pessoal e talvez até pouco prático para o leitor.

Agora, a verdade seja dita: difícil não se entregar ao sentimento e se deixar levar quando o caso é o lançamento de uma banda do calibre da Explosions In The Sky. Com bons discos desde o começo dos anos 2000 (como o aclamadíssimo The Earth Is Not a Cold Dead Place de 2003), a banda, formada pelo baterista Chris Hrasky e pelo trio de guitarristas Michael James, Munaf Rayani e Mark Smith, se firmou como um dos principais expoentes do movimento intitulado como post-rock, denominação até pouco vazia em se tratando da quantidade de ritmos visitados e da liberdade criativa de um processo de composição quase sempre marcado por jams de duas, três horas, ad infinum.

explosion-in-the-skyE se a banda andava com as atenções voltadas aos trabalhos de trilha sonora (algo que sempre fez parte da história do grupo desde sua concepção) e se já fazia meia década do último lançamento de estúdio deles, é então que chega a hora de The Wilderness ser lançado como o sétimo disco da discografia dos texanos. Um álbum que, mesmo sem querer ser propício, parece emergir de um sentimento comum a muitos daqueles que se sentem abatidos pela conjuntura das relações humanas estabelecidas em pleno século XXI.

Em um mundo no qual o “excesso” é talvez uma das poucas palavras capazes de traduzir a overdose de informação e desinformação proferidas pelas pessoas diariamente, The Wilderness simbolicamente propõe um respiro frente à situação mais que caótica em que nos encontramos. Se um dia o grupo já foi conhecido pela dinâmica explosiva e pelos momentos de crescendo e de êxtase trabalhados à exaustão, The Wilderness caminha pela direção contrária como quem sabe que o momento agora é outro. Se utiliza de timbres macios e de sons milimétricos para pedir paciência à sua audição e te pegar na mão como quem sabe que a correria não tem sido pouca, que a tensão anda nos seus limites e que os dias já estão confusos demais pra mais desconstrução sonora. Neste caos real, o deserto é enfim tido como um lugar utópico e os sonhos – cíclicos e por vezes até lúcidos – colocados como um dos poucos ambientes em que a liberdade e a reflexão interna podem acontecer.

Como ressaltei no começo do texto, de nada adianta escrever um textão aqui quando, invariavelmente, as impressões sobre um som como o da Explosions In The Sky serão sempre pessoais. Então faça um favor a si mesmo e deixe que a sua imaginação flua durante os 45 minutos deste disco. Não há garantia alguma de qualquer coisa e não será estranho se uma cochilada vier te acompanhar, mas corra este risco e pode ser que ao final do álbum você já se sinta um tanto melhor pra acordar e viver o agora novamente.

Raul Ribeiro, programador musical na Rádio UFSCar.


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Wilderness

2 – The Ecstatics

Terça-feira

3 – Tangle Formations

4 – Logic of a Dream

Quarta-feira

5 – Disintegration Anxiety

6 – Losing the Light

Quinta-feira

7 – Infinite Orbit

8 – Colors in Space

Sexta-feira

9 – Landing Cliffs

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