Esperanza Spalding – Emily’s D+Evolution

Escrito por em 25/04/2016

A carreira musical de Esperanza Spalding foi uma montanha-russa nos últimos cinco anos. Pra quem não conhece, Esperanza ganhou em 2011 seu primeiro Grammy na categoria de artista revelação. Porém, a vitória veio em cima de artistas como Drake e Justin Bieber. Revoltados com o resultado, aqueles chamados de Beliebers (nome dado aos fãs de Justin Bieber) foram cruéis com a artista e pegaram pesado com o cyberbullying, transformando a vida da jovem música em um verdadeiro caos. Dois anos depois, Spalding emplaca novamente e acaba levando três Grammys. Mais uma vez na boca do povo, ela precisa lidar com antigos haters, fofocas, perseguições e todo o resto do fardo que estrelas pop precisam carregar. Surpreendentemente, a artista volta este ano com seu mais novo álbum Emily’s D+Evolution, e como um soco no estômago de todos que falaram mal e bem, seu novo trabalho apresenta uma sonoridade fora dos padrões até mesmo para o jazz.

Negando a formação megalomaníaca das big bands de jazz, Esperanza volta com uma formação reduzida a um power trio. Guitarras diatônicas, bateria quebrada e o excelente baixo e vocais da artista. Emily’s D+Evolution vem com uma pegada mais rock’n’ roll e menos jazz. Segundo ela, Emily é o seu nome do meio e também nome da protagonista do álbum. Cansada dos rótulos da mídia, Esperanza toca para Emily e ela é quem manda no som. Para a artista, o objetivo era de fato pegar o caminho contrário em relação aos os trabalhos anteriores.

esperanza spaldingDizem que a sonoridade é experimental, dizem que o som é psicodélico e dizem que o som é acid jazz. Todos estão certos e errados. Para Esperanza, rótulos são o que menos importa agora. O objetivo é que o som seja sincero. Emily, a garota da narrativa e alter ego da cantora é verdadeira em todas as letras, timbres, acordes, solos e harmonias, composições fruto dos sentimentos dela. Em entrevista para o site da Billboard, a artista diz que “o disco foi inspirado em coisas que essas pessoas engravatadas não se importam.”

Polêmicas, recalques e críticas à parte, o novo álbum de Esperanza Spalding é realmente muito bom. A decepção fez com que a cantora buscasse a sua realização pessoal, fez com que ela parasse de ouvir a opinião alheia e passasse a buscar em si a inspiração necessária para o novo trabalho. “Good Lava”, primeiro single e faixa que abre o disco é a primeira pancada suingada e confusa. Uma espécie de King Crimson do século XXI. Na sequência, a melódica “Unconditional Love”, faixa que, apesar de fofa, tem seus momentos psicodélicos. Seguindo em frente temos “Rest In Pleasure”, que traz à tona o tempero de rock em meio ao groove. E assim continua o álbum, entre linhas de baixo funkeadas e hipnotizantes, guitarras tortas e distorcidas em um beat frenético digno dos grandes nomes do jazz.

Há quem diga que Esperanza Spalding agindo de forma “rebelde” seria algo como um novo Miles Davis, porém, tudo que ela quer é que você escute o seu som, sinta o que ela sente, veja o que ela vê e ouça o que ela tem para dizer. Hoje em dia todos querem ser algo, Esperanza Spalding só quer ser Emily, uma garota que não desistiu de viver, sorrir, chorar e sonhar.

Hugo Safatle, programador musical na Rádio UFSCar


A seguir, a lista de faixas que você escuta de segunda a sexta, às 15h30. Você também pode ouvir o álbum na íntegra no sábado, às 15h, aqui na 95,3 FM, escute diferente!

Segunda-feira

1 – Good Lava

2 – Unconditional Love

Terça-feira

3 – Judas

4 – Earth To Heaven

Quarta-feira

5 – One

6 – Rest In Pleasure

7 – Ebony and Ivy

Quinta-feira

8 – Noble Nobles

9 – Farewell Dolly

10 – Elevate or Operate

Sexta-feira

11 – Funk The Fear

12 – I Want It Now

13 – Change US

 

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