Depeche Mode – Delta Machine

Escrito por em 13/05/2013

Uma batida hipnótica e ameaçadora imerge rapidamente o ouvinte, enquanto David Gahan faz as honras recebendo seus convidados com “Welcome to My World”. A atmosfera tensa só aumenta quando os sintetizadores dissonantes entram no refrão e logo o cartão de boas vindas se dissipa num loop claustrofóbico. Desde a primeira nota do baixo, já se sabe que a viagem será louca.

E “Delta Machine” realmente é o que promete ser: das densas camadas de sintetizadores à influência marcada pelo delta blues, todos os elementos presentes no disco entram para intensificar o já característico som soturno do grupo. Nesse novo trabalho, David Gahan mergulha mais fundo que nunca no universo sombrio e sofrido de suas letras e reencontra o mojo que parecia ter perdido com o fracasso dos últimos esforços do grupo seminal da eletrônica gótica.

Na sequência de “Welcome To My World”, temos a batida arrastada de “Angel”. Explorando melhor a relação com o blues, Gahan canta numa melodia reminiscente às work songs dos escravos negros americanos, alternando entre uma voz rasgada em grunhidos nos versos e um vocal mais melódico no refrão. Depois vem o single “Heaven”, que é uma boa amostra do que o álbum tem a oferecer sem ser exatamente um destaque, como a interessante “My Little Universe”, cuja letra e instrumental deixariam Bjork orgulhosa: a faixa lentamente se desdobra numa cacofonia sexy de ruídos eletrônicos enquanto Gahan canta sobre se isolar do mundo e dominar o universo de sua consciência.

Ainda na linha do que gosto de chamar “sexy songs góticos” (como defino a maior parte do repertório do Depeche Mode), “Slow” vem com tudo pra se tornar um clássico. Suja e pesada, rimando “instead” com “bed”, seu refrão não disfarça a finalidade da música: “Slow / slow / slow as you can go / That’s how I like it”.

Nos 57 minutos de “Delta Machine” também há espaço para as baladas irônicas e características do Depeche Mode, que são ótimas alternativas comerciais, contrastando claramente com o clima do resto do álbum. “Soft Touch/Raw Nerve” e “Soothe My Soul” estão estrategicamente posicionadas para que a coisa toda não fique deprimente demais, servindo de contraponto para “The Child Inside” e “Alone” (músicas liricamente muito pesadas), garantindo a fluidez do álbum.

Finalmente, tomo a liberdade de parecer presunçoso por dizer isso de uma banda que tem mais de trinta anos de carreira e carrega obras como “Violator”, “Black Celebration” e “Songs of Faith and Devotion” no perfil, mas acredito que “Delta Machine”, 13º álbum da discografia do Depeche Mode, é um dos melhores discos do grupo. Sensacionalismos à parte, há tempos o Mode não lançava coisa tão boa e é inspirador que o tenham feito agora.

Henrique Gentil
Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
Welcome to my world
Angel
Heaven
terça-feira
Secret To The End
My Little Universe
Slow
quarta-feira
Broken
The Child Inside
Soft Touch/Raw Nerve
quinta-feira
Should Be Higher
Alone
sexta-feira
Soothe My Soul
Goodbye

Revisão: Nicole Santaella

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