Deftones – Koi No Yokan

Escrito por em 19/11/2012

O Deftones não poderia ter escolhido nome melhor para seu sétimo álbum de estúdio. A expressão japonesa Koi No Yokan é tão difícil de traduzir em palavras quanto o próprio disco. Empobrecendo bastante o sentido, significa algo como “amor à primeira vista”. Mas não é o tipo de “amor à primeira vista” que estamos acostumados na cultura ocidental.

A expressão define o sentimento que se tem ao encontrar uma pessoa pela primeira vez e perceber que, eventualmente, você se apaixonará por ela. E, é precisamente o que esse álbum faz com o ouvinte: a partir da primeira música, “Swerve City”, percebemos que é apenas uma questão de tempo até se apaixonar pelo trabalho.

Cada música é rica em detalhes que podem não ser percebidos de primeira, mas depois de algumas ouvidas, aparecem para surpreender o ouvinte. Aí é que está a graça: a cada replay temos uma experiência diferente – e gratificante.

Koi No Yokan não faz cerimônia: a já referida faixa de abertura, “Swerve City”, começa com um riff pesado e agressivo, com vocais gritados, como que para impor sua presença. O que temos é um Deftones confiante e dinâmico, um contraste ao clima melancólico de seu último esforço, o também excelente Diamond Eyes.

Na sequência temos um dos maiores destaques do disco: “Romantic Dreams”. Cheia de mudanças bruscas na assinatura de tempo, a banda lança uma infinidade de riffs arrebatadores que se mantém coesos por uma hábil linha de vocal, até que entra nos segundos finais no improviso instrumental culminando no começo anticlimático de “Leathers” – apenas uma pausa para respirar, cortada em seguida por um grito repentino.

Grudada a “Leathers” vem outra quebradeira, ‘Poltergeist”. A diferença é que essa é mais guiada pelo baixo bem marcado e pela louca linha percussiva, com direito até a palminhas! Depois dessa sequência altamente energética, Koi No Yokan entra numa série de músicas mais calmas, mas igualmente marcantes, com “Entombed”, “Tempest” e “Rosemary”.

Uma característica interessante desse álbum é que música alguma se encaixa como “encheção de linguiça”, todas são fortes o suficiente para se segurarem sozinhas e estão dispostas numa ordem bem fluida que, oferece momentos de extrema tensão, bem como os respiros nas horas certas. Depois da crescente “Rosemary” o disco volta com  peso para dar o último gás e finalizar com a excelente “What Happened To You”, cheia de texturas e dinâmicas que sintetizam bem os 52 minutos do álbum.

É seguro dizer que Koi No Yokan é o melhor som da carreira do Deftones. Constatação surpreendente dada a extensa discografia da banda, mas colocando o preconceito com o novo de lado, é a verdade. Esse é um daqueles discos raros, em que uma banda já consagrada, aparentemente sem nada a provar a ninguém – exceto a si mesmos – supera todas as expectativas – o Deftones nunca esteve tão afiado quanto agora, em 2012, com Koi No Yokan.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta às 15h45, na Rádio UFSCar:

segunda-feira
1. Swerve City
2. Romantic Dreams
3. Leathers
terça-feira
4. Poltergeist
5. Entombed
quarta-feira
6. Graphic Nature
7. Tempest
quinta-feira
8. Gauze
9. Rosemary
sexta-feira
10. Goon Squad
11. What Happened To You?

Revisão: Sheila Castro

 


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