Death From Above 1979 – The Physical World

Escrito por em 15/09/2014

Dez anos após sua aclamada estreia, Death From Above 1979 está de volta com mais um novo lançamento. “E daí?” você provavelmente deve estar se perguntando. Hoje é fácil se esquecer do impacto que “You’re A Woman, I’m A Machine” deixou na cena em 2004. Fato é que a estreia do duo canadense foi a epítome de todo aquele movimento garage revival da primeira metade dos anos 00s, o Frankenstein pós-apocalípstico composto por pedaços de todas as cenas que explodiram no começo da década – garage rock, stoner metal, dance punk -, tudo devidamente aglutinado numa densa massa de riffs de baixo desfigurados e linhas de bateria pulsantes que compunham um som despojado e, pasmem, dançante. Foi o último suspiro de uma geração musical que acabou como começou: sem aviso algum.

E agora, uma década completa após deixaram sua marca como uma das maiores promessas não cumpridas da história recente da música pop, o DFA 1979 está de volta. Coincidentemente, aliás, junto ao retorno de grandes nomes da época, como os de Karen O, Julian Casablancas e Interpol – e, aqui no brasil, também da CSS e da UDR, dois grupos que faziam alusões à dupla e foram responsáveis por muito da popularidade dos caras no Brasil. Mas, diferente do som de seus contemporâneos, o duo canadense chega imutável, com a mesma energia e urgência de dez anos atrás, embora um pouco fora de época.

“The Physical World” é pesado. Essa é a primeira coisa que você precisa saber sobre esse disco. A faixa de abertura, “Cheap Talk”, deixa isso bem claro. O suíngue torto ainda está ali, claro, e aquela barulheira eletrônica responsável por encorpar a dobradinha baixo e bateria também se faz presente, mas o trunfo da DFA 1979 sempre foi trazer o bate cabeça para a pista de dança, e o novo trabalho do grupo, sabiamente, mantém o conceito. Riffs como os da saideira de “Right On,Frankenstein!” são bons exemplos desse conceito, e provam-se tão eficazes quanto os de 10 anos atrás.

Naturalmente, também dá pra notar uma boa dose de amadurecimento por parte do grupo. Os riffs cacofônicos e ritmos acelerados são empregados aqui com mais consciência. Diferente de “You’re a Woman, I’m A Machine”, “The Physical World” sabe o que está fazendo, e consegue, então, empregar as soluções mais eficazes para alcançar o efeito que almejam. A fera foi domada, e a dupla tornou-se mestre em domar o barulho que sai de seus amplificadores, ainda sendo capaz de surpreender. “Government Trash” e a faixa título são provas incontestáveis disso, faixas que não poderiam ter sido concebidas na época da estreia do grupo, mas que agora soam naturais. “Virgins” e “Trainwreck 1979” também são bons exemplos de como esse novo controle obtido pela banda pode ser canalizado para resultados mais “pop”.

Chegando um pouco atrasado para a festa, “The Physical World” provavelmente não vai ter o mesmo impacto que teria se tivesse sucedido seu antecessor por 10 meses, e não 10 anos. Karen O já não grita mais como antes, Julian Casablancas abandonou o rock de garagem por alguma coisa que ele curte chamar de arte e todo mundo já sabe que ir a um show do Interpol é uma boa maneira de entrar em dia com seu sono.

 É… pensando bem, que bom que o DFA 1979 voltou.

Henrique Gentil, bolsista em Programação Musical.

A seguir, a lista de músicas que tocam de segunda à sexta, às 15h45:

segunda-feira
1. Chep Talk
2. Right On, Frankenstein!
terça-feira
3. Virgins
4. Always On
quarta-feira
5. Crystal Ball
6. White Is Red
quinta-feira
7. Trainwreck 1979
8. Nothing Left
9. Government Trash
sexta-feira
10. Gemini
11. The Physical World

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