David Lynch – The big dream

Escrito por em 22/07/2013

Quem ficou surpreso com o anúncio do novo disco do aclamado diretor de cinema David Lynch, não deveria. The big dream mostra o comprometimento que Lynch tem com seu trabalho como músico autoral, iniciado em 2011, com a estreia de Crazy clown time, mas que já existia em parcerias com outros músicos, sob codinomes, e também nas trilhas sonoras de seus filmes, pois Lynch sempre trabalhou lado a lado com os compositores de sua obra.

Desta forma, The big dream chega como uma espécie de sequência do Crazy clown time. Como Lynch não tem nenhuma preocupação comercial em relação ao disco, manter o mesmo estilo da sua estreia não é um problema a ser contornado, como aconteceria com músicos em geral, que são pressionados a se superar a cada disco (uma vantagem, talvez, da idade mais avançada e do sucesso já conquistado ao longo da vida).

Olhares mais críticos dirão que The big dream não traz nada de novo ao front, mas ainda assim tem o mérito de ser uma obra mais consistente e focada que o disco de estreia. Um trabalho menos experimental,  que mantém a atmosfera etérea que se destaca em Crazy clown time e que também está presente em suas obras cinematográficas, principalmente na aclamada série Twin Peaks.

As composições de Lynch trazem uma combinação que está em alta hoje em dia: juntar um ritmo tradicional orgânico com a música digital contemporânea. Neste caso, trata-se de um blues eletrônico com toques oníricos e experimentais. Apesar dos seus 67 anos e da extensa bagagem cultural de sua carreira, o diretor-compositor mantém-se aberto às novas tendências e tecnologias musicais, trabalhando com nomes mais jovens, como é o caso de sua parceria com o Nine Inch Nails (Lynch dirigiu seu mais recente videoclipe). Suas composições, entretanto, têm um quê levemente datado, trazido pelo blues clássico cantado com sua voz trêmula, aliado à eletronização meio oitentista. Uma esquizofrenia temporal que só Lynch poderia fazer.

Um ponto a ser destacado no The big dream é a capacidade de Lynch em compor músicas que colocam a atmosfera acima da melodia. As faixas do disco começam como simples jams de blues e vão aos poucos mudando, de forma que cada uma segue um caminho e uma vibe diferente. Lynch não explora apenas o blues,  também encontramos traços de rockabilly, ragtime, pop rock sessentista e ritmos mais modernos como dub e o house.
Tudo isto aliado a um caráter narrativo das letras, que pode ou não ser proveniente da experiência de Lynch com o cinema.

Apesar do single do disco,“Star dream girl”, estar presente na primeira parte do The big dream, o grande trunfo do álbum é o lado B, mais especificamente, as duas últimas faixas “The line it curves” e “Are you sure”, nas quais Lynch demonstra seu vigor como compositor e vocalista, fechando no ápice seu segundo disco.

Diana Ragnole

Estagiária em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta às 9h45, na Rádio UFSCar.

segunda-feira
1. The big dream
2. Star dream girl
3. Last call
terça-feira
4. Cold wind blowin
5. The ballad of hollis brown
quarta-feira
6. Wishin’ well
7. Say it
quinta-feira
8. We rolled together
9. Sun can’t be seen no more
sexta-feira
10. I want you
11. The line it curves
12. Are you sure

Revisão: Sheila Castro

Marcado como

Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA