Darkside – Psychic

Escrito por em 21/10/2013

Em 2011 Nicolas Jaar era uma das grandes promessas da música eletrônica contemporânea. Ele lançou seu álbum de estreia em janeiro daquele ano e arrebatou ótimas críticas da mídia especializada, e assim conquistou um público cativo com seu estilo minimalista e contemplativo, tão bem arquitetado em Space Is Only Noise.

Dois anos após a estreia, o músico e produtor já encontra seu nome consolidado na cena musical, lançando uma sequência de excelentes mixtapes e EPs,  desde então tem escavado mais fundo em seu ambiente já familiar. Eis que agora, em 2013, Jaar finalmente dá forma a um de seus projetos. Em parceria com o músico Dave Harrington, Darkside é um projeto quase análogo à carreira solo de Jaar. O EP de estreia do duo saiu ainda em 2011 e, claramente, desde então tem sido o maior foco das empreitadas do produtor. Uma sequência clara do diálogo promovido com as manifestações da música contemporânea em Daftside, álbum de remixes do disco Random Access Memories (Daft Punk). Psychic é um disco de difícil digestão por suas pretensões vanguardistas.

Misto muito bem calculado entre o orgânico e o eletrônico, o álbum promove um diálogo entre as duas correntes musicais, que casam de forma muito coerente no decorrer dessa experiência. O disco é arrastado, na duração e velocidade de suas faixas, já na faixa de abertura, por exemplo, que passa da marca dos 11 minutos, e o álbum dificilmente passa dos 100 BPM, entretanto, esse fato apenas chama mais atenção para o caráter reflexivo da música do Darkside.

No épico de introdução que é “Golden Arrow”, somos apresentados a todos os elementos que irão compor e justificar o nome do disco, a faixa cria sua ambiência a partir dos ruídos brancos, que fantasmagoricamente preenchem o espaço vazio. Nada em Psychic é cristalino, há sempre uma camada densa de ruído presente. Batidas simplistas e comprimidas logo entram em cena, estabelecendo o groove, que logo é reiterado pela guitarra blueseira que permeará todo o resto do álbum, sobretudo na sexy “Paper Trails”, de longe a mais amigável do disco. Em meio a toda essa construção de ambiente, finalmente entra a enevoada linha melódica do vocal, que soa quase como um mantra moderno exageradamente reverberado. Ao final de “Golden Arrow”, a gente tem certeza: Nicolas Jaar conseguiu construir um ambiente mágico para seu álbum.

Os 40 minutos apresentados pelas 8 faixas de Psychic são um mergulho no desconhecido. Durante toda a sua duração, Nicolas Jaar abraça tudo que fora julgado imperfeito pelo senso comum da indústria musical, e transforma esses elementos em características distintas de sua obra , por vezes temperamentais, como se percebe em “Freak, Go Home”. Uma espécie de viagem pelo subconsciente contemplativo de seu criador, sua sonoridade muitas vezes assusta, mas recompensa quem abraçar a ideia.

Psychic é o tipo de álbum que demanda várias ouvidas para que possa ser apreciado de forma completa, mas dada a sua meticulosa construção, isso não é sacrifício algum. Não se assuste se, ao fim da faixa final “Metatron”, você já esteja antecipando o replay deste estranho disco que acabou de ouvir.

Henrique Gentil
Bolsista em Programação musical na Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira
Golden Arrow
Sitra
terça-feira
Heart
Paper Trails
quarta-feira
The Only Shrine I’ve Seen
quinta-feira
Freak, Go Home
sexta-feira
Greek Light
Metatron

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