Courtney Barnett – Sometimes I Sit And Think And Sometimes I Just Sit

Escrito por em 13/04/2015

Vez ou outra a gente gosta de mandar aqui aquele som sem muita pretensão. Admito, são os meus favoritos. Não que isso seja uma desculpa para você tirar uma de preguiçoso e esquecer que a dedicação é fundamental, e nem que isso seja uma regra ou coisa do tipo, porque referências da arte dita “rebuscada” e da música virtuosa, para apurar um pouco os nossos ouvidos, também tem o seu valor. Mas sejamos sinceros, como bem sabemos, a grande verdade é que Sid Vicious (Sex Pistols) tecnicamente nada sabia além de apertar e segurar algumas poucas notas em seu baixo, Kurt Cobain já declarou que sabia tocar por volta de uns três acordes e até John Lennon, ídolo de muita gente, já admitiu que esse papo de teoria musical não era com ele não. E isso, de fato, não tira nenhum mérito sequer dos caras, a gente sabe que música popular é assim mesmo, quando a arte vem muito mais da ideia, do conjunto e da visão do que necesariamente da técnica e da teoria apurada, o sinal é de que coisa boa vem por ai.

E a guitarrista, compositora e cantora Courtney Barnett é a nova queridinha dos amantes da música de atitude e sem muita enrolação. A jovem australiana acaba de lançar pelos selos Milk! Records, Marathons Artists e Mom + Pop Music o seu primeiro disco, de nome bacaníssimo, Sometimes I Sit and Think And Sometimes I Just Sit. Álbum que chega em meio a grandes expectativas depois do bafafá todo de seu último EP duplo de 2013, A Sea Of Split Peas. E pra quem pensa que estamos aqui falando de uma hype qualquer, basta assistir a sua elogiada apresentação no quentíssimo festival de Austin – Texas, o “SXSW”, que vocês vão entender que a garota não ta ai só pra fazer uma sala não. E o melhor, ela não esta sozinha, Courtney aparece como uma das principais representantes da nova onda de rock cantado por garotas que já conta com a boa St.Vincent, que passou pelo Brasil recentemente, a Wolf Alice e a multi-instrumentista Alex Winston, entre outras tantas que tem chamado atenção.

Falando de Sometimes I Sit…, talvez você possa levar o título do disco bem ao pé da letra. Se uma sonoridade inovadora, sacadas miraculosas e virtuosismo técnico/poético não combinam de jeito maneira com o estilo da garota, em se tratando de só ficar a observar sentada, enquanto frita o cérebro numa onda despretensiosa, a compositora definitivamente se destaca. Com observações sobre a própria vida, a vida da galera e sobre pequenas histórias e problemas mundanos, que talvez nem sejam tão ocorrentes assim, a menina prova que sabe como contar uma boa história com ironia fina e um charme especial de cantar sobre a mediocridade da vida.

Observações e monólogos internos que, posteriormente, a garota traduz em letras verborrágicas, diretas e simples sobre personagens adoráveis, como uma garota que tenta ler seu futuro nas marcas do teto enquanto sofre de insônia; uma garota que quase morre afogada quando tenta impressionar um cara da natação; um homem entediado que se cansa do trabalho e sobe na varanda do prédio para imaginar que está jogando SimCity lá do alto, e por ai vai. Tudo sem essa coisa de pensar demais também porque, afinal, parte do nosso julgamento gostoso de cada dia é justamente só colocar pra fora nossas próprias trivialidades, pode ter certeza disso.

Como já ressaltei antes, de inovador a sonoridade não apresenta praticamente nada, mas até que é bacana poder escutar alguém em pleno 2015 mandando um som de ideias espertas sobre requintes grunges e garage rock dos anos 60, com direito a solos de guitarra improvisados e remelexo percussivo pra dançar de boas na balada. E, por favor, não coloque a menina no pedestal. Como a própria gosta de afirmar, em seu primeiro single “Pedestrian at Best” – “Put me on a pedestal, I’ll only disappoint you” (Me coloque em um pedestal e eu irei te desapontar). Então sem muito papo também, vou apenas recomendar que escutem as espertas “Elevator Operator”, o segundo single “Depreston”, sobre um dia deprimente em busca por imóveis em um subúrbio, e “Dead Fox”, de jeitinho leve e melódico.

E se prepara que não há dúvidas de que Courtney Barnett deve aparecer pelo Brasil logo menos pra mandar seu rock esperto por esses cantos também, se tua vibe vai nesse sentido todo que falei por aqui, pode começar a preparar seus dinheiros que um show dessa garota deve valer um tanto a pena.

Raul Ribeiro

Estagiário em Programação Musical na Rádio UFSCar

 

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar:

 

Segunda-feira

  1. Elevator Operator
  2. Pedestrian at Best

Terça-feira

  1. An Illustration of Loneliness (Sleepless in New York)
  2. Small Poppies

Quarta-feira

  1. Depreston
    6. Aqua Profonda!
  2. Dead Fox

Quinta-feira

  1. Nobody Really Cares If You Go To The Party
  2. Debbie Downer

Sexta-feira

  1. Kim’s Caravan
  2. Boxing Day Blues

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