Clutch – Earth Rocker

Escrito por em 15/04/2013

Ah o stoner rock... chega a ser engraçado que um gênero tão influente na música do novo século seja praticamente condenado ao underground. Nem mesmo seu expoente de maior sucesso, o Queens of the stone age, tem tanto destaque assim no mainstream: Josh Homme e sua trupe não conseguiram nem mesmo as honras de headliner do Lollapalooza Brasil, perdendo o posto para o superestimado Black Keys.

Das bandas “lado B” do stoner, então, nem se fala. Mondo Generator, Monster Magnet, Kyuss, Fu Manchu… só pra citar as mais “conhecidas”. Todas estupidamente influentes, e com absolutamente nenhuma saída para o mainstream.

Ainda assim, o stoner provou-se solo fértil para experimentações, sendo um dos gêneros que mais se desenvolveu durante a última década, firmando-se como um lugar em que coisas mágicas acontecem, apesar de todas as dificuldades.

 Falo disso porque Clutch, a banda sobre a qual vou falar agora, se encaixa exatamente nesse grupo de jóias raras desconhecidas do stoner. Os americanos, na ativa desde o início dos anos 90, conseguiram cosntruir um público fiel e sólido ao lançarem uma sequência ininterrupta de discos excelentes, e não deixaram a desejar com seu décimo álbum, Earth Rocker.

Adeptos de uma vertente mais groovada e bluseira do stoner,  donos de uma sonoridade única, Clutch é o tipo de banda que impressiona pela pura qualidade de seus integrantes: da bateria criativa, com seus ritmos intrincadamente quebrados, ao vocal grave e imponente de Neil Fallon, todos os elementos do som de Clutch são instantaneamente reconhecíveis, e, ainda assim, a cada álbum a banda se reinventa.

Em Earth Rocker o foco é no peso. Em oposição aos seus últimos dois lançamentos, que eram claramente inspirados no blues rock sulista, Clutch volta às suas raízes cavadas no stoner rock para lançar seu álbum mais pesado, mais rápido e mais poderoso. Cada faixa aqui é massiva, um tiro de batidas e riffs sincopados na cara do ouvinte que não pode fazer nada a não ser balançar a cabeça ao som enérgico e renovado do grupo.

 A faixa que abre o álbum (e também lhe dá nome) foi a primeira a sair como single, e já caracteriza o que está por vir pelos próximos 44 minutos: é música pra se ouvir na estrada, pisando fundo, sentindo o vento na cara. Por mais que as guitarras dominem  com “Mr. Freedom” e “The face”, ainda são reservados momentos interessantes para a percussão. Em “Gone Cold”, um dos poucos momentos em que o grupo diminui o ritmo, o baterista Jean-Paul Gaster experimenta com vassourinhas e chocalhos, criando uma atmosfera sexy que é reforçada pelos graves do baixo e da voz de Neil Fallon. “Oh, Isabella” também é uma faixa em que a cozinha ritmica se impõe, com um riff pesado de baixo conduzindo a música inteira num pulsar incessante.

Mas o grande trunfo do disco é ser capaz de captar a mesma energia que Clutch libera durante suas apresentações ao vivo (as duas jams que finalizam o álbum atestam isso). Earth Rocker é um registro da fase mais madura da banda, com todos os seus integrantes já na faixa dos quarenta anos, mas tocando como se estivessem em plenos vinte. Clutch prova, mais uma vez, que o stoner rock é um dos gêneros mais inventivos do rock na atualidade, e não precisa de hype alguma pra continuar assim.

Henrique Gentil
Bolsista em programação musical da Rádio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você escuta de segunda a sexta, às 15h45, na Rádio UFSCar

segunda-feira
1.Earth rocker
2.Crucial velocity
terça-feira
3.Mr. Freedom
4.D.C. sound attack!
5.Unto the breach
quarta-feira
6.Gone cold
7.The face
quinta-feira
8.Book, saddle, and go
9.Cyborg Bette
sexta-feira
10.Oh, Isabella
11.The wolf mand kindly requests…

 

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