Canibalismo – Chicha Libre

Escrito por em 16/07/2012

Chicha é o nome de um licor destilado, feito a partir do milho, do qual temos registro já na época pré-colombiana, mas é também o nome de um estilo musical que surgiu no final dos anos 60 quando, da região amazônica do Peru, chegou à Cumbia colombiana. Naquela época o ritmo de dois compassos de origens africana andou incorporando influências de outros ritmos latinos e também do Rock Psicodélico, que dominava o novo panorama musical ocidental, adquirindo assim novas sonoridades graças ao aporto de instrumentos, agora considerados “Vintage”, como o órgão Farfisa, os sintetizadores Moog e as guitarras distorcidas típicas do Surf Rock.

Infelizmente, esta singular mistura ficou confinada na regiões onde era produzida até alguns anos atrás quando, num propicio cenário musical, cada vez mais globalizado e sempre em busca de novos estímulos e inspirações, surgiram os “Chicha Libre”, conjunto multi-étnico formado por um venezuelano, um mexicano, dois americano e dois franceses.

Depois de ter lançado o primeiro disco “Sonido Amazonico”, em 2008, eles estão de volta com um novo trabalho, que continua na mesma onda do debuto. O título escolhido, “Canibalismo”, é uma homenagem ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade que, na sua essência, diz que precisa deglutir e digerir o legado cultural europeu para criar uma forma de arte tipicamente brasileira, que no caso do trabalho do ”Chicha Libre” pode ser lido num sentido mais amplo estendendo este conceito à cultura “tropical”.

O conjunto já tinha aplicado esse pensamento no primeiro disco, fazendo uma releitura de um clássico pop dos anos 70, “Pop Corn”, que se tornou “Pop Corn Andino”, de “Indian Summer”, standard do Jazz escrita por Tommy Dorsey e, também, de dois clássicos da música erudita como “Pavane pour une infante défunte”, de Ravel, e “Gnosienne nº 1”, de Eric Satie.

Em “Canibalismo” eles continuam na mesma linha, propondo uma versão da “Cavalgada das Valquírias”, de autoria do músico e compositor Richard Wagner, mas desta vez eles exploram também as muitas vertentes da Cumbia e outro ritmo latinos, numa viagem que resgata os pioneiros deste gêneros, como “Juaneco y Su Combo”, autores da faixa “L’Age d’Or”, um quase tango cantado em francês que cheira nostalgia.

Também merece destacar “La Plata”, música que abre o disco, de autoria do acordeonista Joshua Camp, que toca um instrumento vintage chamado de Hohner Electravox, um hibrido entre um acordeon e um sintetizador. Com “La Danza del Millonario” a melodia se torna mais Pop, mas mantendo sempre as sonoridades Surf psicodélicas que caraterizam o álbum inteiro.

Sem dúvida, ”Chicha Libre” é uma banda que, junto a outras, está reescrevendo o mapa da nova música latina e que ganha, a cada dia, mais espaço no panorama musical internacional, saturado e cansado do paradigma anglófono. Não perca essa pérola!

Paz!

Mauro Lussi

Coordenador de programação musical da Radio UFSCar

A seguir, a lista de músicas que você ouve de segunda a sexta-feira às 15h45, na Rádio UFSCar :

Segunda-feira

1 La Plata (en mi carrito de lata)

2 – La Danza del Millonario

3 – El Carnicero de Chicago

Terça-feira

4 Muchachita del Oriente

5 – Depresion Tropical

6 – Juaneco en el Cielo

Quarta-feira

7Intermission

8 – L’Age d’Or

9 – Papageno Eléctrico

Quinta-feira

10Number 17

11 – Lupita en la Selva y el Doctor

12 – The Ride of the Valkyries

Sexta-feira

13La Danza de Don Lucho

14 – Once Tejones


Revisão: Daniel Monteiro

Marcado como

Opinião dos Leitores

Deixe um Comentário

Seu endereço de email não será publicado. Campos Obrigatórios *


Rádio UFSCar

Tocando agora
TITULO
ARTISTA